quarta-feira, 22 de julho de 2026

Veleiro Grande

tava dormindo em sono profundo quando acordei com 
eeeeeeee veleiro grande, cuidado com a Pedra de Itacolomi

o boi tava na capela do Rio São João
na noite escura ouvia bem a voz do cantador 
até mesmo a percussão chegava suave, amplificada 
faltava 15 pra 5h
foi um pouco antes do despertador 
e um pouco depois da mensagem de Ubiratã: chegando na igreja de São João

tomar café pra encontrar o boi em Ribamar
escutando toadas da varanda

logo depois de Maracanã, veio Maioba
e no caminho entendi porque dava de escutar tão bem de casa 

eram os carros de som troando 
essas estruturas ambulantes de propagação de toadas

7h o Sol já brilhava na basílica azul celeste
enquanto brincantes se reabasteciam com mingau e café das vendedoras da igreja
cerveja, conhaque e tudo mais que era preciso pra passar pela avenida

demora matar a sede de boi


caboclos de fita dançam na procissão de virados
e eu que olho através de uma câmera
gingo desviando
movo-me junto 
sinto-me parte

quando dentre toda aquela gente absorta 
nas batidas das matracas
alguém me olha de volta

frontalidade

disparo
é um verbo violento demais 
para o que seria uma aproximação

tiro a máscara maquínica
para olhar diretamente

para me transportar pro vermelho, amarelo, verde das fitas
que dançam varrendo, lavando, levando 

seu olhar também baixa
como maré
para adentrar no âmago da entrega



Performar para as câmeras não é nenhuma novidade na cultura popular. Cada personagem já se habituou que, por onde passar, lá estarão o público munido de celulares, além dos/as fotográfos/as "profissionais", que com câmeras mais robustas  dividem a cena com a brincadeira. Também já se viram nos registros, se identificando - ou não - com eles. Por vezes, pedem uma imagem sua, posando estáticos enquanto o boi gira e gira. São sensíveis aos que vêm prestigiar, que fotos com o povo. Nós, fotógrafes, temos que estar à serviço do Boi e não sugá-los em imagens. 




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