segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

anjo

sua pele quase transparente
vejo veias verdes
cantos roxos
brilho dos cabelos ruivos
anjo, coitado
parece um defunto
se for anjo
o que será de ti?

não posso mostrar tua face
que eu vi de relance e fugi
para agora falar com essas palavras
o que você nunca foi

ó como eu vejo teu rosto em três segundos!

aparece ruivo e
vá embora
pela janela fechada

posso passar horas a falar...
as palavras são maiores

eis o mito

domingo, 29 de janeiro de 2012

cigarras a noite
desesperadas
perderam as dezoito horas
dos sinos na igreja
ave maria
enternecimento

para não ser em vão
vão, voem
logo aqui no salão


conviver viver viver
labaredas e bandeirolas



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

o que é isso
no seu da sua boca?
um osso
minha estrutura
óssea
epifania

o que é isso que eu não percebo
até eu perceber


a chuva que chega
na dor do joelho

domingo, 22 de janeiro de 2012

quando me sinto fora do espaço
quando passo pela lapa
olhando de longe a arrumação
uma ou outra confusão
me sinto olhando de cima da árvore
jogando gravetos e granadas
me sinto de fora
portando dinamites
presentes para pessoas
figurinos e figurinhas
carnes expostas
carnecartaz
leio o valor de longe
de dentro de uma câmera escura

estou portando dinamites!

Paquetá

na passagem, a chuva
bicicleta voltas
curvas turvas
casas escuras
de cem anos ou mais
habitadas ou co-habitadas ou re-habitadas
tralhas no jardim de veraneio
primeira chuva do ano lava tudo
virando lama respingada
podendo escorregar ou mesmo cair

a baía de guanabara
no seu interior saturado
uma água marrom
uma areia preta
uma espuma safa
plataformas de petróleo
na vista deslumbrada
como seria há tantos anos

lá é o cemitério de pássaros

 Ilha de Paquetá
 2012

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012