segunda-feira, 25 de junho de 2012

Ressaca

chuva torrencial
e vieram pelas bocas de rio
tudo o que nossas bocas não consomem
e mais o próprio rio com suas plantas e cobras

enrroladas em copos, sacos, baldes, cadeiras
tênis, raquete, televisões, sofás e monitores
e toda sorte de embalagem
que não envolvem mais nada


um sambaqui, agora epitelial, daquilo que somos bem
lixo

que vem pela maré, pelo vento forte e chega aqui
atrapalhando o sábado do turista

lembrando do que sempre esteve ali
do outro lado da baía

lembrando o cão doméstico
que ele gosta é de carniça

chamando os urubus
e os garis
para uma conferência sobre a limpeza
e sujeira humana



***





Um comentário:

Luís Gustavo Brito Dias disse...

- seria um paradoxo, pois talvez faríamos mais sujeira, mas seria digno de mostrar sua inspiração para a poluição dos povos - que, sabemos, começa dentro de nós.