segunda-feira, 7 de março de 2011

carnaval

essa festa sempre teve a pretensão
de fazer sumir
de suspender
tanta pressão
de séculos
em alguns dias

mas os batuques daqui
ressuscitam velhos e velhas
que aparecem na forma de pretinhos

nos arcos da Lapa
uma me ofertou uma lantejoula
baculejando com um olhar
qualquer coisa na sua altura

à altura dos bolsos

2 comentários:

floema disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
floema disse...

a carne se vai e fica o espírito...saca depois aquele texto de foucault "o corpo utópico".

olha um trecho dele:

"A alma funciona maravilhosamente dentro do meu corpo. Nele se aloja, evidentemente, mas sabe escapar dele: escapa para ver as coisas, através das janelas dos meus olhos, escapa para sonhar quando durmo, para sobreviver quando morro. A minha alma é bela, pura, branca. E se meu corpo barroso – em todo o caso não muito limpo – vem a se sujar, é certo que haverá uma virtude, um poder, mil gestos sagrados que a restabelecerão em sua pureza primeira. A minha alma durará muito tempo, e mais que muito tempo, quando o meu velho corpo apodrecer. Viva a minha alma! É o meu corpo luminoso, purificado, virtuoso, ágil, móvel, tíbio, fresco; é o meu corpo liso, castrado, arredondado como uma bolha de sabão."

fonte: http://cronicaexistencial.blogspot.com/2010/11/o-corpo-utopico-michel-foucault.html