sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

quero saber quem vai querer o desconforto
quem catalogará o dia após outro
quem olhará para si com a desconfiança
de quem vê o ataque do outro lado da rua
num passo de animal flexionando joelhos
sobrepondo o medo próprio numa atitude de punho fechado
e igualando o salto marcado na vítima
com o pulo dela para trás

um tremor que sobe pelas pernas e embrulha a barriga

a face mais sincera
é a do medo

nenhum espelho, talvez vitrines
câmeras de vigilância
maps e vistas mecânicas

na floresta só há a coruja
e eu quero é ver
quem olha dentro dos seus olhos noturnos
e a adota como filha
sem levá-la para casa

eu quero é ver a cara
de quem mora no acaso
e se liberta em seu corpo sem órgãos

2 comentários:

floema disse...

as cenas acontecendo dentro de um auto antropomórfico, nas telas, copas da floresta e menina dos olhos. desafios de visibilidades, de luz e sombras

floema disse...

o medo produz um sorriso que pode iludir, de precipitação no caos