sábado, 17 de julho de 2010

O Ritornelo, uma poética musical

Há mais ou menos dois meses, eu e Bruno Barata decidimos fazer o curso de arte sonora na EAV Parque Lage, com os professores Saulo Laudares e Franz Manata. Decisão no feeling, nem sabíamos direito o que era delimitado por Arte Sonora na verdade, mas desde a primeira aula fomos indagados para pensar um trabalho para um happening.

Foi daí que surgiu a idéia de explorar o conceito do ritornelo, que é pertencente a vários domínios. Trata-se dos movimentos de retorno, seja relacionado à música, como um refrão, ao comportamento dos animais que marcam seu território ou ainda filosoficamente, relacionado à construção da subjetividade humana.

Os movimentos do ritornelo demonstram a lógica cíclica da natureza e foi o que inspirou a construção dessa “performance” realizada ontem pela primeira vez com caráter experimental de uma poética musical. A idéia era explorar os movimentos do ritornelo, “procurar um território”, “partir” e “retornar”, pelos números 6, 9 e 8, três movimentos e três momentos nesse show experimental.

Este tempo cíclico do ritornelo é expresso em um conceito base: o looping, a repetição de uma amostra. Sete músicas foram compostas unindo capoeira com blues, caixa do divino com melodia árabe ou canto de pássaros, entre reverses e explorações dessas loops no live, como uma gaita capoeira ou um tambor de crioula no qual o tambor grande é uma guitarra. Fora as músicas: Orvalho em Desatino, É, Sambaqui, Sem Aviso, Samba dos Barbilhões e Ritornelo. Essas foram escolhidas no livro de composições do Bruno, pensando sempre nos ritornelos da vida.

O Happening em si foi bem legal. O conjunto dos trabalhos davam uma consistência ao todo e a chuva interminável de ontem parecia que estava no lugar certo. Eu, na verdade, pensei que deveríamos estar numa sala menor, algo mais intimista e para manter a idéia de cantar sem microfone, já que fazer isso em uma sala relativamente grande era difícil de comunicar, em especial a letra das músicas. Mas calculamos mesmo que existiria esse vai e vem do público e cada pessoa que falou conosco depois, parecia ter gostado momentos diferentes.

Ontem ao agradecer, disse que era grata aos que ficaram, mas não somente, a todos os que ali passaram, aos professores e colegas do curso de Arte Sonora, à Carolina Libério, Marrytsa Mel, Claudiana Cotrim e a Victa de Carvalho, que muito cooperaram, além de todos os mestres que nos guiaram nesta pesquisa.  Dedico esse trabalho também à Karem, minha sobrinha, que ontem fez 2 anos, e à minha orientadora do mestrado, Fernanda Bruno, que viajou ontem pro PosDoc em Paris, e que foi em uma das suas aulas que estudamos o texto do Guattari de onde veio as primeiras idéias.

Continuamos estudando e esperamos realizar a performance em breve, melhor e até o fim, concluindo os movimentos e transformando o que somos, em um ritornelo que não é apenas sonoro, mas poético, entendendo que o som e a música estão presentes em toda matéria e expressam este movimento de ação contínua, os ciclos, o eterno retorno.







Fotos de Carolina Libério

6 comentários:

floema disse...

amor, sou muito grato a você pela vivência nessa poética e por todos os esforços para a preparação, pois como se diz, é preciso muito pra uma coisa surgir do dia pra noite

mary fê disse...

vcs são uns fofos! parabéns, mais uma vez. mas, senti falta da tal da amplificação elétrica de q tanto gosto. bjão! ;-)

Jane Maciel disse...

É mary, essa falta de microfone e amplificador certamente entrará nos estudos. Parabéns para vc tb!

cgliberio disse...

uhuuu

cgliberio disse...

uhuuu

fabricio disse...

foto não funciona pra som, só pra movimento. movimento bonito, só não sei se sonoro, mas imagino. amplexos