ostensiva ostentação, escute
ser simples
é o passaporte
para o chão
não alimentamos imaginários de luxo
não regamos nenhuma regalia
enquanto antes for
ficaremos próximos da terra
e da terrania
das mulheres e homens nanicos
das mais importantes
insignificantes
sementes
do vento nas palmeiras
e do Sol na cara
simples simplicidade
a imagem de si
pralém das coisas
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
sábado, 2 de setembro de 2017
sob sobre a terra
sob a terra minerais
riqueza atribuída
sobre a terra bichos, índios, ribeirinhos, plantas, águas
renegados como riqueza
ouro, níquel, tântalo
pobres ricos pântanos
não há fronteiras na floresta
nada existe além do cosmo
tudo se toca, se contamina
riqueza atribuída
sobre a terra bichos, índios, ribeirinhos, plantas, águas
renegados como riqueza
ouro, níquel, tântalo
pobres ricos pântanos
não há fronteiras na floresta
nada existe além do cosmo
tudo se toca, se contamina
não há pureza que sobreviva
nem nos olhos do curumim
morto ainda vivo no seu fim de mundo
nem nos olhos do curumim
morto ainda vivo no seu fim de mundo
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
não-casa
esta casa já não é minha
ela nunca foi de fato
nada é, meu
nem sequer meu quarto
meu aposento
é meu ser
o ser que aqui repousa e
acorda para fora
o dentro resguardado
ela nunca foi de fato
nada é, meu
nem sequer meu quarto
meu aposento
é meu ser
o ser que aqui repousa e
acorda para fora
o dentro resguardado
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
oposição
atualizados por dispositivos móveis
sabemos da hora do eclipse
sem marcos aborígenes
sem observação de outras espécies
nada perguntamos aos cachorros
aos pássaros aos loucos
sabemos dele ingenuamente
saímos nas portas sem prudência
olhamos para o Sol mordido no canto direito
por poucos segundos vimos
sem silêncio não há sentir
algo de mim tostou ao ver o Sol partido
eu parti
quebrei um pedacinho no canto direito
sabemos da hora do eclipse
sem marcos aborígenes
sem observação de outras espécies
nada perguntamos aos cachorros
aos pássaros aos loucos
sabemos dele ingenuamente
saímos nas portas sem prudência
olhamos para o Sol mordido no canto direito
por poucos segundos vimos
sem silêncio não há sentir
algo de mim tostou ao ver o Sol partido
eu parti
quebrei um pedacinho no canto direito
terça-feira, 28 de março de 2017
novo outono
já sei como vai ser
vai passar muito rápido
muito do que pronunciar
vai ser desviado
mas muito também
se tornará concreto
base, cimento, alicerce
para outras tantas palavras e gestos
espero, sem esperar por nada
não sei de nada não, eu
cansei de especular
desfruto meu lugar
de semente, de devir
no dia
a poesia chegará
para louvar o sereno do instante
∞
outono chegou
maturação
ver ão
se foi
em nós
a pele fotografada pelo Sol
vai passar muito rápido
muito do que pronunciar
vai ser desviado
mas muito também
se tornará concreto
base, cimento, alicerce
para outras tantas palavras e gestos
espero, sem esperar por nada
não sei de nada não, eu
cansei de especular
desfruto meu lugar
de semente, de devir
no dia
a poesia chegará
para louvar o sereno do instante
∞
outono chegou
maturação
ver ão
se foi
em nós
a pele fotografada pelo Sol
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
observância
ao passo que eu sacava o meu passo
como sendo o de maior interesse
tu olhaste os olhos do menino
para onde irradiava sua atenção prima
uma história era contada
por descendentes urbanos de um devir perdido
em nós, eu diria, antes mesmo da tua travessia
até os parentescos dilacerados com os sentidos
muito pouco sobrou do que queremos
a liberdade
cantos e apitos
luz difratada
de uma morte anunciada
a cada vez que tentaram me modular
mais profundo ainda é o corte
quando me vi
cumprindo o papel de algoz de mim
como sendo o de maior interesse
tu olhaste os olhos do menino
para onde irradiava sua atenção prima
uma história era contada
por descendentes urbanos de um devir perdido
em nós, eu diria, antes mesmo da tua travessia
até os parentescos dilacerados com os sentidos
muito pouco sobrou do que queremos
a liberdade
cantos e apitos
luz difratada
de uma morte anunciada
a cada vez que tentaram me modular
mais profundo ainda é o corte
quando me vi
cumprindo o papel de algoz de mim
terça-feira, 11 de outubro de 2016
pássaros da aurora
onde brilha a luz com toda intensidade
flutua nossos corpos
findáveis nossos ossos
e peles
e carnes
todos os órgãos
aguardam algo eterno
sonoro prana silencioso
para trazer o som
para expandir o movimento
dos dedos
da voz
da caixa torácica
onde repousa nosso dia
e festeja nossas noites
impuras e arredias
em puras sintonias
como esta
agora
sejam bem vindos
pássaros da aurora
o Sol nos respinga
o som nos respinga
flutua nossos corpos
findáveis nossos ossos
e peles
e carnes
todos os órgãos
aguardam algo eterno
sonoro prana silencioso
para trazer o som
para expandir o movimento
dos dedos
da voz
da caixa torácica
onde repousa nosso dia
e festeja nossas noites
impuras e arredias
em puras sintonias
como esta
agora
sejam bem vindos
pássaros da aurora
o Sol nos respinga
o som nos respinga
quarta-feira, 29 de junho de 2016
raiar São Pedro
golpe forte na expressão
golpe forte com a costa da mão
pandeiro e pandeirão
o que emana do homem que sobe
cada degrau de seu ser
pra pedir uma benção
emana a força e a dor
torna-se grande de joelhos
faz crescer uma grande onda
que balança o barco aparentemente estático
enquanto por outra porta
os índios guerreiros e todo seu batalhão
adentram na capela sorrateiros
arrastando-se e empunhando suas lanças
arrastando-nos pra dentro de uma tribo
transportando pra igreja de São Pedro
o chão do terreiro
sotaques se misturam no raiar do dia
a Casa das Minas celebra seu assentamento
a voz do pai se apresenta no filho
o corpo do índio morto resiste na entidade
o pelo pintado da onça morta
movimenta-se no tecido sintético das alegorias
quem não segura o que vem de lá
sofre a contradição por se sentir invadido
o carinho no olhar
abre qualquer batalhão
pra passar o sentido de tudo
não é pela via da brutalidade
menos ainda da invasão
o lugar do outro é sagrado
suas penas acariciam nosso pescoço
e nosso passar
não há imagem que sobrevive mais
que aquela inscrita no corpo
golpe forte com a costa da mão
pandeiro e pandeirão
o que emana do homem que sobe
cada degrau de seu ser
pra pedir uma benção
emana a força e a dor
torna-se grande de joelhos
faz crescer uma grande onda
que balança o barco aparentemente estático
enquanto por outra porta
os índios guerreiros e todo seu batalhão
adentram na capela sorrateiros
arrastando-se e empunhando suas lanças
arrastando-nos pra dentro de uma tribo
transportando pra igreja de São Pedro
o chão do terreiro
sotaques se misturam no raiar do dia
a Casa das Minas celebra seu assentamento
a voz do pai se apresenta no filho
o corpo do índio morto resiste na entidade
o pelo pintado da onça morta
movimenta-se no tecido sintético das alegorias
quem não segura o que vem de lá
sofre a contradição por se sentir invadido
o carinho no olhar
abre qualquer batalhão
pra passar o sentido de tudo
não é pela via da brutalidade
menos ainda da invasão
o lugar do outro é sagrado
suas penas acariciam nosso pescoço
e nosso passar
não há imagem que sobrevive mais
que aquela inscrita no corpo
Cazumba Mirim
festa de São Pedro, São Luís, 2016
quinta-feira, 23 de junho de 2016
goteiras
vento frio lá de longe
vem chegando um tempo escuro
corremos para fechar janelas
tirar roupas do varal
mover aquilo que intencionávamos livrar do mofo alastrado
fechamos tudo, com ou sem aval do tempo
nos fechamos
e mesmo tendo trancado
o porvir despencou sobre os telhados
infiltrou pelas paredes
transpassou o forro
gotejou sobre nossos objetos de apreço
corremos agora para dar conta das goteiras
que nos surpreende sempre em um novo lugar
dentro de nós
escorre gotas carregando a sujeira do telhado
diluindo o excremento de morcegos e pombos que moram lá
e mesmo sem vê-los
aspiramos suas imundas presenças
dentro de nós há um mofo intruso
onde está aquilo que abandonamos
vem chegando um tempo escuro
corremos para fechar janelas
tirar roupas do varal
mover aquilo que intencionávamos livrar do mofo alastrado
fechamos tudo, com ou sem aval do tempo
nos fechamos
e mesmo tendo trancado
o porvir despencou sobre os telhados
infiltrou pelas paredes
transpassou o forro
gotejou sobre nossos objetos de apreço
corremos agora para dar conta das goteiras
que nos surpreende sempre em um novo lugar
dentro de nós
escorre gotas carregando a sujeira do telhado
diluindo o excremento de morcegos e pombos que moram lá
e mesmo sem vê-los
aspiramos suas imundas presenças
dentro de nós há um mofo intruso
onde está aquilo que abandonamos
sábado, 30 de abril de 2016
a cara do medo
eu vi a morte no teu rosto
nela
reconheci muitas imagens
fotos, quadros, afrescos, frames
nela
reconheci a cara da medo
sobreposta na face usurpada
nela
reconheci muitas imagens
fotos, quadros, afrescos, frames
nela
reconheci a cara da medo
sobreposta na face usurpada
peligro
2016
domingo, 31 de janeiro de 2016
pesos e medidas
relembrar e desaparecer
chão molhado
reencontro a pegada da presa
eu mesma
reencontro o rastro na lembrança
mesmo já sendo apagado
músculos enrijecidos pelo choque
reencontro sonhos esquecidos
exames de situações
mecanismos de instintos
reconstituições de frações de segundos
de milímetros limítrofes do desastre
a ética não deixa esquecer
o exame
o direcionamento
a situação está sempre em aberto
a uma nova grafia
a uma nova medida
a uma nova poesia
casulo de dores ou alívios
casulos vazios
voo translúcido do erro
perspectiva
rastejo lagarta
antes do voo
antes de ser esmagada
pela circunstância
chão seco
ar chuva
para lavar
tormentas
chão molhado
reencontro a pegada da presa
eu mesma
reencontro o rastro na lembrança
mesmo já sendo apagado
músculos enrijecidos pelo choque
reencontro sonhos esquecidos
exames de situações
mecanismos de instintos
reconstituições de frações de segundos
de milímetros limítrofes do desastre
a ética não deixa esquecer
o exame
o direcionamento
a situação está sempre em aberto
a uma nova grafia
a uma nova medida
a uma nova poesia
casulo de dores ou alívios
casulos vazios
voo translúcido do erro
perspectiva
rastejo lagarta
antes do voo
antes de ser esmagada
pela circunstância
chão seco
ar chuva
para lavar
tormentas
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
desmodulação
não me module
ética
não é dar exemplo
∞
não queira me modularmude
e me deixe mudar
∞
pela raiz
o corte
sempre dói
mas cicatriza
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
mares, rios e cactos
os males dos tempos
convertem-se em alegrias
rápidas e fugazes
os mares dos tempos
convertem-se em tristezas profundas
rápidas imagens fugazes
os rios de lama
os rios de gente
desaparecidas espécies
contaminados humanos
nas lavouras cruéis
rápidos resgates
profundos afogamentos
praias de corpos inchados
putrefatos lamentos
não temos tempo para lamentar o suficiente
nossa potência soterrada por nós mesmos
pelo o que queremos
quero cessar de querer mais
*
matamos cactos com água excessiva
de sede plantas marítimas
de plástico aves ingênuas
arritmias, incompetências, calafrios
sequer admitimos
desaprendemos o cultivo
urgente é nosso desvio
rumo ao muito pouco
convertem-se em alegrias
rápidas e fugazes
os mares dos tempos
convertem-se em tristezas profundas
rápidas imagens fugazes
os rios de lama
os rios de gente
desaparecidas espécies
contaminados humanos
nas lavouras cruéis
rápidos resgates
profundos afogamentos
praias de corpos inchados
putrefatos lamentos
não temos tempo para lamentar o suficiente
nossa potência soterrada por nós mesmos
pelo o que queremos
quero cessar de querer mais
*
matamos cactos com água excessiva
de sede plantas marítimas
de plástico aves ingênuas
arritmias, incompetências, calafrios
sequer admitimos
desaprendemos o cultivo
urgente é nosso desvio
rumo ao muito pouco
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
coletânea de sons - praia dos coqueiros - pqt
o som do motor
do barco
lá longe
o avião
cachorros e pássaros
bem perto
o som da maré
em resposta ao motor do barco
suspende subterrâneos sons
respostas ao vento
gaivotas descem
do vento ao peixe
de vento em popa
do vento nas folhas
das castanheiras
na praia dos coqueiros
uma castanha
caiu
do barco
lá longe
o avião
cachorros e pássaros
bem perto
o som da maré
em resposta ao motor do barco
suspende subterrâneos sons
respostas ao vento
gaivotas descem
do vento ao peixe
de vento em popa
do vento nas folhas
das castanheiras
na praia dos coqueiros
uma castanha
caiu
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
chave
jogo fora a chave
do cômodo
não mais habitado
pequena com detalhe vermelho
o que restou
da vida ao lado do vivo
cômodo sem vida
chave no lixo
fantasmas
placa vende-se
entrar lá outra vez
não consigo
jogo um plano fora
sem remorsos
do cômodo
não mais habitado
pequena com detalhe vermelho
o que restou
da vida ao lado do vivo
cômodo sem vida
chave no lixo
fantasmas
placa vende-se
entrar lá outra vez
não consigo
jogo um plano fora
sem remorsos
perigeu lunar diurno
deixo-me afetar pelo eclipse não visto
deixo-me só
esquecido
atrás de nuvens
sombra e chuva
acordar com ventania agonia rebeldia
arte detona arte
grito detona suspiro
vamos aprendendo a silenciar
quando mais falamos de nós
mais sentimos o eclipse da nuvem muda
memes gifs samples redundam e afogam o som mudo
ouvimos a cidade na trilha urbana
percebemos de longe a fila de formigas
preces silenciosas seguidas da chegada no aposento
inocente sorriso desconhecido
cumplicidade de minutos
mesmo estado mental
sem precisar comungar do mesmo
quando aterrizei não estava mais lá
gnomo perigeu lunar à luz do dia
se foi na trilha do desconhecido
verborragia desnecessária complementa
a palavra nenhuma
sem palavras para tanto
é preciso concluir o poema
deixo-me só
esquecido
atrás de nuvens
sombra e chuva
acordar com ventania agonia rebeldia
arte detona arte
grito detona suspiro
vamos aprendendo a silenciar
quando mais falamos de nós
mais sentimos o eclipse da nuvem muda
memes gifs samples redundam e afogam o som mudo
ouvimos a cidade na trilha urbana
percebemos de longe a fila de formigas
preces silenciosas seguidas da chegada no aposento
inocente sorriso desconhecido
cumplicidade de minutos
mesmo estado mental
sem precisar comungar do mesmo
quando aterrizei não estava mais lá
gnomo perigeu lunar à luz do dia
se foi na trilha do desconhecido
verborragia desnecessária complementa
a palavra nenhuma
sem palavras para tanto
é preciso concluir o poema
terça-feira, 22 de setembro de 2015
telepartilha
telepatia
chego qd c digita linhas p mim
telepartilha
vejo os três pontinhos
leio sozinho
um afago resumido
chego qd c digita linhas p mim
telepartilha
vejo os três pontinhos
leio sozinho
um afago resumido
imago trama
manobras suaves das imagens
jogar com elas
como lugar possível da experiência
talvez o único
enfrentamento possível às forças cruéis
não é possível que seja o que sobra a nós
sobre nós
não é possível que não faça nenhum efeito
não é possível mas é possível
na imagem
jogar com elas
como lugar possível da experiência
talvez o único
enfrentamento possível às forças cruéis
não é possível que seja o que sobra a nós
sobre nós
não é possível que não faça nenhum efeito
não é possível mas é possível
na imagem
sábado, 5 de setembro de 2015
ainda
ainda somos pelo o que passamos
ainda podemos voltar na casa vazia
pra despedida dos animais e das plantas
eram a nossa companhia de todos os dias
quando dormíamos
faziam vigília
e ainda fazem
mesmo sem ninguém por lá
não suportamos ver o abandono
reconhecer apenas detalhes
que não interessaram a ninguém
ficaram como lâminas pra nossa sensibilidade frágil
animais e plantas não se importam tanto
mas compreendem que fomos
e que talvez não voltemos mais
ainda que tenhamos lembranças
estômagos embrulham sorrisos perdidos
miados quando abríamos a porta pela manhã
gritos inaudíveis nos cômodos em desuso
ainda podemos voltar na casa vazia
pra despedida dos animais e das plantas
eram a nossa companhia de todos os dias
quando dormíamos
faziam vigília
e ainda fazem
mesmo sem ninguém por lá
não suportamos ver o abandono
reconhecer apenas detalhes
que não interessaram a ninguém
ficaram como lâminas pra nossa sensibilidade frágil
animais e plantas não se importam tanto
mas compreendem que fomos
e que talvez não voltemos mais
ainda que tenhamos lembranças
estômagos embrulham sorrisos perdidos
miados quando abríamos a porta pela manhã
gritos inaudíveis nos cômodos em desuso
quinta-feira, 4 de junho de 2015
AzulPedraMar
cobrir pedras
saio pela orla
deixando marcas expressivas na memória
lenço
saia
marcando um território
construído em lugar nenhum
construir um além lugar
AzulPedraMar
∞
onde está a sereia?
vestir uma pedra
para trazê-la de vota
para instaurar o movimento
da imagem imemorial
∞
de que cor era a baía?
acho que nunca foi azul
talvez esverdeada ou quase marrom
talvez avermelhada de rio
mas o mar é azul
e assim desejam os turistas veranistas
e seu imaginário
∞
cor imprime na água
a marca do que nunca seria
será?
∞
solve et coagula
esgoto desgosto
azul dejeto
do homem
mulher ventre água
poluída humanidade
descabida sem idade
para voltar
o que já foi um dia
alquímica fórmula ainda não decifrada
∞
saio pela orla
deixando marcas expressivas na memória
lenço
saia
marcando um território
construído em lugar nenhum
construir um além lugar
AzulPedraMar
∞
onde está a sereia?
vestir uma pedra
para trazê-la de vota
para instaurar o movimento
da imagem imemorial
∞
de que cor era a baía?
acho que nunca foi azul
talvez esverdeada ou quase marrom
talvez avermelhada de rio
mas o mar é azul
e assim desejam os turistas veranistas
e seu imaginário
∞
cor imprime na água
a marca do que nunca seria
será?
∞
solve et coagula
esgoto desgosto
azul dejeto
do homem
mulher ventre água
poluída humanidade
descabida sem idade
para voltar
o que já foi um dia
alquímica fórmula ainda não decifrada
∞
segunda-feira, 13 de abril de 2015
falar com borboletas
quero também falar com borboletas
sê-las
sons
ar
broto abrir iridescência
quero sê-las
larva casulo crescente
broto flor iridescência
o que me ensinas
mais do que imaginas
falar com borboletas
contar segredos
escutar silêncios elementais
broto
sempre em movimento
a imagem do ser
sê-las
sons
ar
broto abrir iridescência
quero sê-las
larva casulo crescente
broto flor iridescência
o que me ensinas
mais do que imaginas
falar com borboletas
contar segredos
escutar silêncios elementais
broto
sempre em movimento
a imagem do ser
terça-feira, 31 de março de 2015
suculenta
como fruta madura
que se desprende do pé
não adianta forçar
e vale a pena esperar por ela
observar o momento da entrega
doce é o seu néctar
suavemente se desconecta
do galho da espera
suculenta
que se desprende do pé
não adianta forçar
e vale a pena esperar por ela
observar o momento da entrega
doce é o seu néctar
suavemente se desconecta
do galho da espera
suculenta
quarta-feira, 4 de março de 2015
O monge
sábado, 3 de janeiro de 2015
sobre mapas e flores
o mapa de planos
o mapa em planos
sem tempo pra estratégia
a tática
em honra da presença
a ausência dramática
do decalque amarelo
da flor esquecida no caderno
tão potente como os vestígios
dos loucos dessacralizados
no meu mapa
ao centro
o esquecimento
o acaso ornando os sopros
em todas as direções
dos anjos de cabelos encaracolados
o mapa em planos
sem tempo pra estratégia
a tática
em honra da presença
a ausência dramática
do decalque amarelo
da flor esquecida no caderno
tão potente como os vestígios
dos loucos dessacralizados
no meu mapa
ao centro
o esquecimento
o acaso ornando os sopros
em todas as direções
dos anjos de cabelos encaracolados
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
ser imperceptível
desenvolva poderes normais
de ficar invisível
sentado no banco da praça pública
desenvolvo poderes supranormais
de ser o invisível
ser visto é um perigo
desenvolto o poder anormal
de querer não ser visto
nem lembrado nem ouvido nem compreendido
o poder do apagamento dos sentidos
do ser
do sonido
imperceptível
de ficar invisível
sentado no banco da praça pública
desenvolvo poderes supranormais
de ser o invisível
ser visto é um perigo
desenvolto o poder anormal
de querer não ser visto
nem lembrado nem ouvido nem compreendido
o poder do apagamento dos sentidos
do ser
do sonido
imperceptível
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
foice silêncio
a dificuldade em calar-se
jaz um atraso para si próprio
o dia se foi na voz que se foi
foice empenada
nada amolada
para cortar o não dito
o silêncio merece ser escrito
e o corte cego dói bem mais
jaz um atraso para si próprio
o dia se foi na voz que se foi
foice empenada
nada amolada
para cortar o não dito
o silêncio merece ser escrito
e o corte cego dói bem mais
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
concentra
paradinha
vendo o tempo passar
gotas de orvalho da madruga
cisco de areia de ampulheta
parado empenho no olho a coçar
incômodo sucede indiferença
nesse verso retomo o gesto de versar
rir da chama do candeeiro
os homens proativos resmungam
a chama bruxuleia risadas
o tempo serpanteia
teu sorriso me conforta
vendo o tempo passar
gotas de orvalho da madruga
cisco de areia de ampulheta
parado empenho no olho a coçar
incômodo sucede indiferença
nesse verso retomo o gesto de versar
rir da chama do candeeiro
os homens proativos resmungam
a chama bruxuleia risadas
o tempo serpanteia
teu sorriso me conforta
acerto erro
para quem não gosta de rasuras
errar o dia
escrever sobre outro
é uma catástrofe
corretivo por cima
página adulterada
é preciso dormir
para estar acordada
acordo com o destino
jamais nos vemos
errar o dia
escrever sobre outro
é uma catástrofe
corretivo por cima
página adulterada
é preciso dormir
para estar acordada
acordo com o destino
jamais nos vemos
intercílio
flores ascendentes ao por do Sol
rumo a uma estrada curta ao longo da noite
anum voa na luz amarela
rumo ao pé de algodão
poderia ter queimado
o fogo foi muito alto e rápido
fogo de palha
anum branco, alma de gato
voa vendo as palmeirinhas
trêmulo frescor
criamos e vivemos bolhas
de ser
volto para casa
com as mãos vazias
a luz do dia
à luz do dia
rumo a uma estrada curta ao longo da noite
anum voa na luz amarela
rumo ao pé de algodão
poderia ter queimado
o fogo foi muito alto e rápido
fogo de palha
anum branco, alma de gato
voa vendo as palmeirinhas
trêmulo frescor
criamos e vivemos bolhas
de ser
volto para casa
com as mãos vazias
a luz do dia
à luz do dia
terça-feira, 4 de novembro de 2014
sábado, 30 de agosto de 2014
Acariciando um cacto
desliso as pontas dos dedos
e com pequenas garras se prende a mim
com um desejo sem apego
não há aspereza
cacto tempo nos conforta com sua beleza
com sua franqueza
mesmo com a fraqueza dos nossos dedos
ávidos por rápidas soluções
e com pequenas garras se prende a mim
com um desejo sem apego
não há aspereza
cacto tempo nos conforta com sua beleza
com sua franqueza
mesmo com a fraqueza dos nossos dedos
ávidos por rápidas soluções
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
acúmulo
limpando caixas de entrada
caixas de saída
malas repletas de acúmulos da vida
e a renovação rompendo o mofo
não é fácil
apagar o que acumulamos
deletar o que nós mesmos buscamos
realocar vestígios
mas é preciso
como um corte que degola em sacrifício
caixas de saída
malas repletas de acúmulos da vida
e a renovação rompendo o mofo
não é fácil
apagar o que acumulamos
deletar o que nós mesmos buscamos
realocar vestígios
mas é preciso
como um corte que degola em sacrifício
segunda-feira, 19 de maio de 2014
azul pedra mar
lápis-lazúli
azul índigo
azul pedra mar
banho de mar
banho de sal grosso
rachadura azul
geometria do caos
movimento das marés
azul índigo
azul pedra mar
banho de mar
banho de sal grosso
rachadura azul
geometria do caos
movimento das marés
domingo, 18 de maio de 2014
pier
severa nuvem afogada na água turva da baía
sincera água da baía afogada na dimensão mais íngreme
mergulho
poderia eu ter caído na água turva
pra mergulhar na nuvem refletida
se assim fizesse estaria perdida
não haveria pescador nem turista para me salvar
a vizinha dizia que colheria flores para mim
que ficaria bonito na composição do quadro
mas agradeci cordialmente
disse não às flores amarelas do jardim
disse não porque me interessava o azul
que nunca foi nem será
pois não é
sincera água da baía afogada na dimensão mais íngreme
mergulho
poderia eu ter caído na água turva
pra mergulhar na nuvem refletida
se assim fizesse estaria perdida
não haveria pescador nem turista para me salvar
a vizinha dizia que colheria flores para mim
que ficaria bonito na composição do quadro
mas agradeci cordialmente
disse não às flores amarelas do jardim
disse não porque me interessava o azul
que nunca foi nem será
pois não é
terça-feira, 13 de maio de 2014
não sou eu
não sou eu que decido
a minha barquinha
que no mar me guia
eu seguro o leme
mas a barca me leva
leve a música anacrônica
a memória
a minha barquinha
que no mar me guia
eu seguro o leme
mas a barca me leva
leve a música anacrônica
a memória
∞
diante do céu me dizendo acordada
a luz penetrando a montanha mudando
a cada segundo
o imutável
fiz até uma tentativa
mas não era mais possível alimentar a mentira
pelo nosso bem
pelo bem
terça-feira, 6 de maio de 2014
praça xv
os skatistas ocupam o largo
antes de derrubarem de vez a perimetral
antes da vinda da família real
antes da barca chegar
ao som da banda de rock com mil delays
malha que ocupa a atmosfera noturna
antes das máquinas da destruição derrubarem de dia
dizendo limpar a paisagem vista
tá quase chegando em frente as barcas
o recado da intransigência
com a boa aceitação eleitoral
antes de derrubarem de vez a perimetral
antes da vinda da família real
antes da barca chegar
ao som da banda de rock com mil delays
malha que ocupa a atmosfera noturna
antes das máquinas da destruição derrubarem de dia
dizendo limpar a paisagem vista
tá quase chegando em frente as barcas
o recado da intransigência
com a boa aceitação eleitoral
quinta-feira, 1 de maio de 2014
um tempo que se foi no poderia ser
engorgitado a escolha
tão orgânica é a resposta
que diz: és tola
∞
mas uma vez optei pelo morto
embrulha as tripas
e corta o sopro
∞
me senti sozinha
procurando o que fazer
no intervalo da esquina
tão orgânica é a resposta
que diz: és tola
∞
mas uma vez optei pelo morto
embrulha as tripas
e corta o sopro
∞
me senti sozinha
procurando o que fazer
no intervalo da esquina
viagens
fiz minha mala e ainda sonho
tô sonhando agora mesmo com o que eu sou deveria havia seria sou sido
um sonho levando malas
malas são sonhos com roupas limpas e sujas
guardadas dentro de sacos para não contaminar
mas também a música que inspira a poesia que chega
lembrando
é possível é possível impossível possível não importa
leões e atmosferas noturnas
daqui e de lá e daí e de onde você está
onde eu estou também tanto faz para a conversa que temos agora
levo espelhos na bagagem
e penas no coração
fazendo cócegas e colorindo a alma
cores e a atmosfera noturna
o céu azul mais limpo
estampando bandeiras e comendo as cartas
com o fogo atmosférico do instante arrebatador
quero você mas mais ainda me quero aqui agora mesmo comigo mesmo eu mesmo
eu suporto estar só nessa viagem
pode vir marchas fúnebres ou vermes na tigela
tenho um lenço branco na mala
que tudo limpa com amor de um bordado de mãe no canto esquerdo
toda cidade pequena lembra a cidade onde tua mãe nasceu
sou eu um monólogo dessa estrada
sou a cordilheira que vejo da janela do meio de transporte mais interno
a fonte do mistério vem do alto das cordilheiras
tô sonhando agora mesmo com o que eu sou deveria havia seria sou sido
um sonho levando malas
malas são sonhos com roupas limpas e sujas
guardadas dentro de sacos para não contaminar
mas também a música que inspira a poesia que chega
lembrando
é possível é possível impossível possível não importa
leões e atmosferas noturnas
daqui e de lá e daí e de onde você está
onde eu estou também tanto faz para a conversa que temos agora
levo espelhos na bagagem
e penas no coração
fazendo cócegas e colorindo a alma
cores e a atmosfera noturna
o céu azul mais limpo
estampando bandeiras e comendo as cartas
com o fogo atmosférico do instante arrebatador
quero você mas mais ainda me quero aqui agora mesmo comigo mesmo eu mesmo
eu suporto estar só nessa viagem
pode vir marchas fúnebres ou vermes na tigela
tenho um lenço branco na mala
que tudo limpa com amor de um bordado de mãe no canto esquerdo
toda cidade pequena lembra a cidade onde tua mãe nasceu
sou eu um monólogo dessa estrada
sou a cordilheira que vejo da janela do meio de transporte mais interno
a fonte do mistério vem do alto das cordilheiras
terça-feira, 29 de abril de 2014
cuidado
tigres, leões, leopardos
mesmo que sem dentes
possuem grandes patas
grandes garras que fazem
um bom estrago
não confie neles completamente
são animais de grande porte
não confie neles completamente
são humanos mãos de morte
pobres animais indefesos
dopados para serem fotografados
pobres humanos sem sossego
a tudo querem dominar
mas não controlam seus próprios sonhos
mesmo que sem dentes
possuem grandes patas
grandes garras que fazem
um bom estrago
não confie neles completamente
são animais de grande porte
não confie neles completamente
são humanos mãos de morte
pobres animais indefesos
dopados para serem fotografados
pobres humanos sem sossego
a tudo querem dominar
mas não controlam seus próprios sonhos
segunda-feira, 28 de abril de 2014
sábado, 12 de abril de 2014
quarta-feira, 9 de abril de 2014
vestidos
escolheu a fazenda
no vai e vem
na rua grande
o tamanho do meu corpo
sabe de cor
flores, pássaros
meu corte
gravado na cabeça
seu corpo, sua prova
de destreza e vitória
quando fores
ou eu não caber mais
os vestidos relíquias
contarão sua história
quando flores e pássaros
botões e rendas e cores
retalhos
eu ficarei
no vai e vem
na rua grande
o tamanho do meu corpo
sabe de cor
flores, pássaros
meu corte
gravado na cabeça
seu corpo, sua prova
de destreza e vitória
quando fores
ou eu não caber mais
os vestidos relíquias
contarão sua história
quando flores e pássaros
botões e rendas e cores
retalhos
eu ficarei
domingo, 6 de abril de 2014
vida assegurada
a morbidez do seguro de vida
a vida assegurada
por um banco
vida corrida
bancos com tapumes
o petróleo é nosso
gari eu te amo
crise em fukushima
do eike
fogo na lata de lixo
lixo no aterro
presos políticos em bangu
tropas de guerra
ditos pacificadores
tsunami chegando
evangélicos histéricos
céticos iludidos
a morbidez da vida assegurada
pelos homens
ditos pacificadores
a vida assegurada
por um banco
vida corrida
bancos com tapumes
o petróleo é nosso
gari eu te amo
crise em fukushima
do eike
fogo na lata de lixo
lixo no aterro
presos políticos em bangu
tropas de guerra
ditos pacificadores
tsunami chegando
evangélicos histéricos
céticos iludidos
a morbidez da vida assegurada
pelos homens
ditos pacificadores
dominical
as notas do piano do vizinho
acenderam em mim notas de uma nostalgia antecipada
sei que vou embora daqui
e que tudo é um tanto apego
e que o sol intenso neste domingo
dificulta abrir os olhos
e nos permite sombras profundas
ao mesmo tempo
lembro dela com o toque suave de sua pele
para sempre infantil
eu a amo e apesar de tanto sol
tudo me vem um tanto triste
mesmo sem doer
acenderam em mim notas de uma nostalgia antecipada
sei que vou embora daqui
e que tudo é um tanto apego
e que o sol intenso neste domingo
dificulta abrir os olhos
e nos permite sombras profundas
ao mesmo tempo
lembro dela com o toque suave de sua pele
para sempre infantil
eu a amo e apesar de tanto sol
tudo me vem um tanto triste
mesmo sem doer
quinta-feira, 6 de março de 2014
banhistas verão paquetá
no lixo lavado na Baía de Guanabara
copos de guaravita
recipientes de limpeza
de detergente e de sabão
os banhistas chegaram cedo
agora fedem na estação
copos de guaravita
recipientes de limpeza
de detergente e de sabão
os banhistas chegaram cedo
agora fedem na estação
algarismos do tempo
o último algarismo do ano último
que por força do hábito insiste
em aparecer
resiste
o passado novo
que por força do hábito insiste
em aparecer
resiste
o passado novo
∞
guarda na pele
a memória da doença
que só saberá depois
de passadas algumas décadas
mortes provocadas
por itens de beleza
por remédios
pelos sorrisos não dados
saberemos quando velhos
ou antes disso
no tarde demais
era cedo demais
ela era tão linda
com seu vestido e batom vermelhos
banzo
é possível estar lá e cá
não, alguns dizem
apenas um espaço é possível
de uma só vez
outros dizem, sim
por que não?
se o espaço sou eu
eu carrego o espaço comigo
e isso eu digo, é o banzo
é estar lá e cá
sem nenhum conflito ou
ser o próprio conflito
no aqui a lembrança é insular
e no lá também é
por uma fina passagem
estreito dos mosquitos
passagem entre praias
entre gritos entre mitos
rastros coloniais
do que sonhamos ter sido
franceses ou tamoios
vivido não vivido
o vento equatorial
assanhando em seu zumbido
o sol paralelo à testa
meus miolos franzidos
o raio do som do vizinho
do carro mala aberta
da rua grande alerta
perfurando os ouvidos
banzo é lembrar de tudo isso
sabendo que ainda é
carregando tudo isso
banzo é ser território
longe dele recriá-lo
é ser lembrança
com o tempero que for
a cor que for
quente ou fria
é tentar ser aqui
o que talvez nunca tenhamos sido lá
banzo é um repertencimento
uma reavaliação uma retaliação
que só a distância incita
apenas ela complica
nossos pontos cardeais
que só existem
porque só existe mudança
não, alguns dizem
apenas um espaço é possível
de uma só vez
outros dizem, sim
por que não?
se o espaço sou eu
eu carrego o espaço comigo
e isso eu digo, é o banzo
é estar lá e cá
sem nenhum conflito ou
ser o próprio conflito
no aqui a lembrança é insular
e no lá também é
por uma fina passagem
estreito dos mosquitos
passagem entre praias
entre gritos entre mitos
rastros coloniais
do que sonhamos ter sido
franceses ou tamoios
vivido não vivido
o vento equatorial
assanhando em seu zumbido
o sol paralelo à testa
meus miolos franzidos
o raio do som do vizinho
do carro mala aberta
da rua grande alerta
perfurando os ouvidos
banzo é lembrar de tudo isso
sabendo que ainda é
carregando tudo isso
banzo é ser território
longe dele recriá-lo
é ser lembrança
com o tempero que for
a cor que for
quente ou fria
é tentar ser aqui
o que talvez nunca tenhamos sido lá
banzo é um repertencimento
uma reavaliação uma retaliação
que só a distância incita
apenas ela complica
nossos pontos cardeais
que só existem
porque só existe mudança
∞
presente ausente
presente
Azulejos em Paquetá
2012
quarta-feira, 5 de março de 2014
escrita corpórea
tá tudo escrito no meu corpo
minha história e meus erros
minhas quedas no joelho, na canela, no braço, na boca
cai de boca no chão
chorei e perguntei
por que eu?
criança, eu
marcas da borracha do tempo
sem perspectivas
com alternativas
uma história cicatrizada
que insiste em lembrar
quando o esquecimento é limpeza
borrada com marcas celulares me pergunto
quem eu?
células se renovam
nosso corpo que é muitos durante a vida
e talvez apenas em sobrevida
me veja
sem história
com vida
minha história e meus erros
minhas quedas no joelho, na canela, no braço, na boca
cai de boca no chão
chorei e perguntei
por que eu?
criança, eu
marcas da borracha do tempo
sem perspectivas
com alternativas
uma história cicatrizada
que insiste em lembrar
quando o esquecimento é limpeza
borrada com marcas celulares me pergunto
quem eu?
células se renovam
nosso corpo que é muitos durante a vida
e talvez apenas em sobrevida
me veja
sem história
com vida
cri ar
é um grito
mas mais que isso
é um sopro
é ar
que ressoa
e chega a quem escuta
ou vê
a obra invisível
nunca escrita
jamais lida
mas mais que isso
é um sopro
é ar
que ressoa
e chega a quem escuta
ou vê
a obra invisível
nunca escrita
jamais lida
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