criar parece hoje
um exercício
esgotado
esgoto
ex gotas
excrementos
tudo já foi feito
e está por aí
industrializado
hoje parece crias
de animais antropomórficos
de civilizações cuja ciência
não era progressista
obelisco
no meio da cidade
exu
no meio do mato
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
não existe diferença
alguma ou nenhuma
diferença entre esses dias
e os próximos que virão
só uma temperatura que se eleva
algo que chegou
e talvez vou esquecer
se não aprender outra vez
verão, a temperatura
antes a primavera
pela janela do ônibus
avisto os primeiros
abricós de macaco
que florescem no rio
alguma ou nenhuma
diferença entre esses dias
e os próximos que virão
só uma temperatura que se eleva
algo que chegou
e talvez vou esquecer
se não aprender outra vez
verão, a temperatura
antes a primavera
pela janela do ônibus
avisto os primeiros
abricós de macaco
que florescem no rio
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
segura segura não deixa a peteca cair
não deixa a moeda cair
não deixa a lágrima cair
o riso sair em algum outro momento
inesperado o ataque e o conflito
diz se é assim mesmo que se disse
se a promessa sai
arremessada no mundo
o plano, o mapa, o canal
está lá escorrendo pela cidade
nublada de vez
soterrada talvez
formigas passeando achando que tá morta
de qual cidade estou falando
esta do trompete e do trombone
uma corneta sátira de quem ri
não deixa a moeda cair
não deixa a lágrima cair
o riso sair em algum outro momento
inesperado o ataque e o conflito
diz se é assim mesmo que se disse
se a promessa sai
arremessada no mundo
o plano, o mapa, o canal
está lá escorrendo pela cidade
nublada de vez
soterrada talvez
formigas passeando achando que tá morta
de qual cidade estou falando
esta do trompete e do trombone
uma corneta sátira de quem ri
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Walter Benjamin
Três imagens
A fotografia (feita por Gisèle Freund), que queria passar intencionalmente pela pose todo o peso do corpo que não se sustenta, precisando da própria mão para apoiá-lo; o semelhante anjo de Dürer; e uma ilustração do corcundinha, personagem da literatura infantil alemã que passa a sensação de azar e intriga, e pelo qual Benjamin sentia-se (metaforicamente) perseguido.
A fotografia (feita por Gisèle Freund), que queria passar intencionalmente pela pose todo o peso do corpo que não se sustenta, precisando da própria mão para apoiá-lo; o semelhante anjo de Dürer; e uma ilustração do corcundinha, personagem da literatura infantil alemã que passa a sensação de azar e intriga, e pelo qual Benjamin sentia-se (metaforicamente) perseguido.
domingo, 14 de agosto de 2011
poemas do dia dos Pais
você que saiu para fazer cobranças
na Fortuna do Maranhão
saiba que eu estou te olhando
sentada no teu lado
me cutuque
*
Jeová
meu
pai
**
lugares tela paisagem
janela da camionete
abre o morcego, fecha o morcego
insetos batem no pára-brisa
nós escutamos Roberto Carlos e orações
eu falava das minhas lições de história
você contava a História da vida
sua, nossa, de todos os nossos
cemitérios na estrada
na direção do nascer e pôr do sol
pequenas montanhas, babaçuais
queria que dormíssemos ali um dia
inteiro de vida
queria ter agora em mãos
nosso álbum de retratos
com você ao nosso lado
***
sou o que sou o que
era menina
indo te buscar no seu telefonema
de um telefone que nem era nosso
eu ia te chamar, sonava
para a gente ir jantar em casa
foi minha mãe que mandou
e eu que fui porque quis
te encontrar
na Fortuna do Maranhão
saiba que eu estou te olhando
sentada no teu lado
me cutuque
*
Jeová
meu
pai
**
lugares tela paisagem
janela da camionete
abre o morcego, fecha o morcego
insetos batem no pára-brisa
nós escutamos Roberto Carlos e orações
eu falava das minhas lições de história
você contava a História da vida
sua, nossa, de todos os nossos
cemitérios na estrada
na direção do nascer e pôr do sol
pequenas montanhas, babaçuais
queria que dormíssemos ali um dia
inteiro de vida
queria ter agora em mãos
nosso álbum de retratos
com você ao nosso lado
Maranhão, 2010
***
sou o que sou o que
era menina
indo te buscar no seu telefonema
de um telefone que nem era nosso
eu ia te chamar, sonava
para a gente ir jantar em casa
foi minha mãe que mandou
e eu que fui porque quis
te encontrar
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
olhando para os fatos
vejo neles algumas cores imperceptíveis
manifestas na expressão de um ato inaudível
naquele monte de folhas
a terra fria e úmida esconde quem se foi
o rio que passou naquele lugar
guardião de tempos concomitantes
aqui ou aí
estou só
às vezes expandindo em alguma interação
outras observando pela clausura da câmera escura
as plantas já cresceram
mas estão sendo cuidadas
os filhos também
e estão sendo soltos
aos poucos
o mato entremeia o que presta
e o que não presta
a sesta antecipa a noite
e acorda a tarde
a volta traz só lembranças
a volta traz
só
lembranças
até mais tarde
vejo neles algumas cores imperceptíveis
manifestas na expressão de um ato inaudível
naquele monte de folhas
a terra fria e úmida esconde quem se foi
o rio que passou naquele lugar
guardião de tempos concomitantes
aqui ou aí
estou só
às vezes expandindo em alguma interação
outras observando pela clausura da câmera escura
as plantas já cresceram
mas estão sendo cuidadas
os filhos também
e estão sendo soltos
aos poucos
o mato entremeia o que presta
e o que não presta
a sesta antecipa a noite
e acorda a tarde
a volta traz só lembranças
a volta traz
só
lembranças
até mais tarde
segunda-feira, 18 de julho de 2011
um lote de afetos embalados a vácuo
mas vácuo não existe nem no espaço
esquecimento faz parte
espaço, sua medida, a experiência
a paciência já se foi
desde as aulas de caligrafia
desde as missas e suas homilias
lorotas e previsões políticas
e veja bem, um cristo escandaliza na sala
fora dos parâmetros do exótico
orixás e caboclos parecem mais em voga
camisetas, chaveiros e nomes de escola
assim é o encantamento calado
responder pra quê
o seu chamado
se só estou
escutando o eco que percorre há anos
em órbitas interpelantes
cantos de sereia
assovio de jibóia
lógicas saíram de moda
encante-se
deitado no conforto
mas vácuo não existe nem no espaço
esquecimento faz parte
espaço, sua medida, a experiência
a paciência já se foi
desde as aulas de caligrafia
desde as missas e suas homilias
lorotas e previsões políticas
e veja bem, um cristo escandaliza na sala
fora dos parâmetros do exótico
orixás e caboclos parecem mais em voga
camisetas, chaveiros e nomes de escola
assim é o encantamento calado
responder pra quê
o seu chamado
se só estou
escutando o eco que percorre há anos
em órbitas interpelantes
cantos de sereia
assovio de jibóia
lógicas saíram de moda
encante-se
deitado no conforto
domingo, 10 de julho de 2011
se não tem, faça
frio no rio
de janeiro
de julho
de dois mil e onze
anos depois
novelos caídos marcando o espaço
frio de ombros doídos
de se encolher em cansaço
nenhum exagero
algo de horas poucas
e num súbito intervalo de três horas
o calor do quarto grau abaixo do Equador
devora as expressões
de mamando a caducando
outras ruas, outras rugas
espaço por onde se passa
se não tem, faça
presságio
de janeiro
de julho
de dois mil e onze
anos depois
novelos caídos marcando o espaço
frio de ombros doídos
de se encolher em cansaço
nenhum exagero
algo de horas poucas
e num súbito intervalo de três horas
o calor do quarto grau abaixo do Equador
devora as expressões
de mamando a caducando
outras ruas, outras rugas
espaço por onde se passa
se não tem, faça
presságio
quinta-feira, 7 de julho de 2011
excelência
sentindo umas vontades estranhas
pintar os olhos de preto e sair na guerra do mundo
pintar o preto dos olhos e sair com um soco ecoando
olhos pretos, pálpebra preta, roxa, levamos socos nas ruas
ocas de inércia perdida de alguém, em potência
perdida alguém, eu sou eu, não sou
vendo me vendo, não me vendo, não me vendo
pego meu barco, eu parto no meio do mundo
no meio do mar, do cais da praia que sonho toda noite
no fundo da onda vem chegando lá de longe
nosso veraneio acabou nessa cabana de madeira
com maribondos nos cantos, me farto a comê-los
quero ver quem manda aqui
pintar os olhos de preto e sair na guerra do mundo
pintar o preto dos olhos e sair com um soco ecoando
olhos pretos, pálpebra preta, roxa, levamos socos nas ruas
ocas de inércia perdida de alguém, em potência
perdida alguém, eu sou eu, não sou
vendo me vendo, não me vendo, não me vendo
pego meu barco, eu parto no meio do mundo
no meio do mar, do cais da praia que sonho toda noite
no fundo da onda vem chegando lá de longe
nosso veraneio acabou nessa cabana de madeira
com maribondos nos cantos, me farto a comê-los
quero ver quem manda aqui
segunda-feira, 27 de junho de 2011
num acidente de carro
morreu um sonho na segunda
Adão, seu nome é
solo cultivável
e a terra é uma mulher receptiva
um útero fértil, mas não
o sangue desceu, passou pelas engrenagens
do carro obsoleto
corpo morreu, alguém, neste momento
acho que senti aqui
a morte de um plano
fechado no espaço
a morte é sempre um embaraço
morremos em fins de tarde
nas segundas-feiras
nos fins de férias
na emanação de passados
a morte é o verdadeiro tabu
como somos bobos
morreu um sonho na segunda
Adão, seu nome é
solo cultivável
e a terra é uma mulher receptiva
um útero fértil, mas não
o sangue desceu, passou pelas engrenagens
do carro obsoleto
corpo morreu, alguém, neste momento
acho que senti aqui
a morte de um plano
fechado no espaço
a morte é sempre um embaraço
morremos em fins de tarde
nas segundas-feiras
nos fins de férias
na emanação de passados
a morte é o verdadeiro tabu
como somos bobos
domingo, 19 de junho de 2011
No iso da noite
você tem espinhos de tucum na barba
eu na ponta dos dedos
fecho os olhos e vejo
mil pontas
eriçadas no iso da noite
nas asas de algum mito
neguinho já chega aloprando
daí ele deixa os dedos inchados
e a mente futucada
remosa
ninguém escapa da sua ponta
quem fala leva
espinho na língua
poucos fazem como tu
tucum
eu na ponta dos dedos
fecho os olhos e vejo
mil pontas
eriçadas no iso da noite
nas asas de algum mito
neguinho já chega aloprando
daí ele deixa os dedos inchados
e a mente futucada
remosa
ninguém escapa da sua ponta
quem fala leva
espinho na língua
poucos fazem como tu
tucum
mensagem antiga
saíram pela porta, andando pro domingo
com pouca bagagem, nada nas costas
eu os vi partindo de longe, estático
raízes nascendo dos pés, por necessidade
o centro
é um caminho
já foi dia santo, hoje é domingo
já conversamos de tudo
você é bem diferente de mim
eu bem diferente de todos, iguais
trocadilho velho, regravado
em pedras imateriais, zerodimensão
ela nem me reconheceu,
é assim mesmo
somos para nós
com pouca bagagem, nada nas costas
eu os vi partindo de longe, estático
raízes nascendo dos pés, por necessidade
o centro
é um caminho
já foi dia santo, hoje é domingo
já conversamos de tudo
você é bem diferente de mim
eu bem diferente de todos, iguais
trocadilho velho, regravado
em pedras imateriais, zerodimensão
ela nem me reconheceu,
é assim mesmo
somos para nós
quarta-feira, 15 de junho de 2011
O negativo da Lua
dia chega ao fim com alguns nãos
o eclipse no céu
não arrebatou tanta gente assim
na praça
fim de dia, as pessoas voam
quase entrechocando-se
às vezes até acontece
e se não fosse seu torpedo
seu dedo apontando
nem eu mesmo teria olho
mas bem que achei estranho
aquela nuvem forçosa
mancha gasosa e mansa
aqueles passos ligeiros
na calçada ecoando
eu parei
era uma sombra projetada
na cara da lua
na minha cara
recebo os nãos em fins de tarde
ligo o foda-se destilado
nessa noite bofeteada
nãos aos planos corridos
por vacilos e enganos
nãos celebram a glória
do que teria sido
nãos seguram as mãos
dos que os pronunciam
nãos, assim, que me tocam
alguns, outros nãos
o eclipse no céu
não arrebatou tanta gente assim
na praça
fim de dia, as pessoas voam
quase entrechocando-se
às vezes até acontece
e se não fosse seu torpedo
seu dedo apontando
nem eu mesmo teria olho
mas bem que achei estranho
aquela nuvem forçosa
mancha gasosa e mansa
aqueles passos ligeiros
na calçada ecoando
eu parei
era uma sombra projetada
na cara da lua
na minha cara
recebo os nãos em fins de tarde
ligo o foda-se destilado
nessa noite bofeteada
nãos aos planos corridos
por vacilos e enganos
nãos celebram a glória
do que teria sido
nãos seguram as mãos
dos que os pronunciam
nãos, assim, que me tocam
alguns, outros nãos
sexta-feira, 10 de junho de 2011
terça-feira, 31 de maio de 2011
Logaritmo
Estou na deriva do acaso
com o vento que chega
frio, inverno
levando lágrimas também frias
dessa cara lavada
nenhuma motivação
para projetos sem propósito
intervenções desnecessárias
penso que o silêncio também é de palavras
e ainda assim não calo
agora o vento vem, pela nuca
faz um burburinho
e alguém grita:
não, isso não é sopro, é furacão
a vizinha empunhando uma faca
ao som dos gritos dos outros
quando saímos dos planos
para o plano realizável, compositivo
vem aquele banzo do inverno
de novo, ele mesmo
sem colheita, nem plantio
mas tem que se fazer sem parar
para não esquecer
a mensagem que atrasada
delay
***
sou sustentado por agricultores
e por algum ministério
mas o que eu faço não se pega
só peca
só me peça, por favor, o que eu posso dar
pois não sou transgressor, sou presa
mil olhos me espreitando
por dentro deste mato seco, surpresa
é noite
e eu não sou daqui
{o expoente que uma dada base deve ter para produzir certa potência}
com o vento que chega
frio, inverno
levando lágrimas também frias
dessa cara lavada
nenhuma motivação
para projetos sem propósito
intervenções desnecessárias
penso que o silêncio também é de palavras
e ainda assim não calo
agora o vento vem, pela nuca
faz um burburinho
e alguém grita:
não, isso não é sopro, é furacão
a vizinha empunhando uma faca
ao som dos gritos dos outros
quando saímos dos planos
para o plano realizável, compositivo
vem aquele banzo do inverno
de novo, ele mesmo
sem colheita, nem plantio
mas tem que se fazer sem parar
para não esquecer
a mensagem que atrasada
delay
***
sou sustentado por agricultores
e por algum ministério
mas o que eu faço não se pega
só peca
só me peça, por favor, o que eu posso dar
pois não sou transgressor, sou presa
mil olhos me espreitando
por dentro deste mato seco, surpresa
é noite
e eu não sou daqui
{o expoente que uma dada base deve ter para produzir certa potência}
surf
"Todos os novos esportes - surfe, windsurfe, asa delta - são do tipo: inserção numa onda preexistente. Já não é uma origem enquanto ponto de partida, mas uma maneira de colocação em órbita. O fundamental é "chegar entre" em vez de ser origem de um esforço" (Gilles Deleuze, Os intercessores)
Qual grande onda
ainda não descoberta?
[para que pontos de interrogação?
em poesias, pra que pontos?]
se olhamos com tédio
imagens radicais, bocejos
acabou o choque
pior que dormir, suportar o sono
suplantar o sonho
só helicópteros alcançam
nosso olho nascente
de vidro, zoom
Qual grande onda
ainda não descoberta?
[para que pontos de interrogação?
em poesias, pra que pontos?]
se olhamos com tédio
imagens radicais, bocejos
acabou o choque
pior que dormir, suportar o sono
suplantar o sonho
só helicópteros alcançam
nosso olho nascente
de vidro, zoom
sábado, 28 de maio de 2011
merda urbana
o cego com sua vareta
desvia de um poste
mas não da sua borda fétida
quem limpará os dejetos
de outros humanos?
para cachorros existem donos simpáticos
coleiras, passeio e sacos plásticos
em extremos casos
até carrinho de bebê
para os donos um tanto de medo
nojo ou desembaraço
em extremos casos
uma intervenção
desvia de um poste
mas não da sua borda fétida
quem limpará os dejetos
de outros humanos?
para cachorros existem donos simpáticos
coleiras, passeio e sacos plásticos
em extremos casos
até carrinho de bebê
para os donos um tanto de medo
nojo ou desembaraço
em extremos casos
uma intervenção
sambaqui
eu te achava uma referência
mas referência é só mais um
lugar pra ver, uma experiência
todos têm, alguns falam dela
outros calam num silêncio argamassa
cimento que espedaça com o tempo
vira entulho para outra construção
sei não, eu só tô começando
mas referência é só mais um
lugar pra ver, uma experiência
todos têm, alguns falam dela
outros calam num silêncio argamassa
cimento que espedaça com o tempo
vira entulho para outra construção
sei não, eu só tô começando
domingo, 22 de maio de 2011
volta
você passa o dia fora
sai antes mesmo deu acordar
deixa um beijo na testa
e some pela fresta da manhã
raio escapulido contra vontade
a favor da obrigação
espera pacientemente tua volta
que eu te dou como recompensa
todas as declarações de amor
comprimidas no Sol que cai
sai antes mesmo deu acordar
deixa um beijo na testa
e some pela fresta da manhã
raio escapulido contra vontade
a favor da obrigação
espera pacientemente tua volta
que eu te dou como recompensa
todas as declarações de amor
comprimidas no Sol que cai
anfitriã
você que um dia
era só
uma menininha redonda
hoje que mulher
de placidez imensa
elegância plena
frutas adornam perto de onde tu sentas
e nós as comemos te olhando
mastigando de mansinho
no deleite que é ver o teu vestido
uma mãe não deixa seus filhos
com fome
ela nos alimenta
com seu sorriso
e eu, sem te conhecer
saí de onde eu estava
para te encontrar
para compreender
como se recebe
um filho em casa
era só
uma menininha redonda
hoje que mulher
de placidez imensa
elegância plena
frutas adornam perto de onde tu sentas
e nós as comemos te olhando
mastigando de mansinho
no deleite que é ver o teu vestido
uma mãe não deixa seus filhos
com fome
ela nos alimenta
com seu sorriso
e eu, sem te conhecer
saí de onde eu estava
para te encontrar
para compreender
como se recebe
um filho em casa
segunda-feira, 16 de maio de 2011
é assim na história do tempo
o áspero sentimento presente
intensa pílula descrente de contra-indicações
alguma percepção futura, talvez
de cortes, mais ou menos homeopáticos
de tudo o quanto
desejávamos, sentíamos, esperávamos
alguns dos nossos amigos
envelheceram mais que nós
ou já são assim por natureza
cabelos que crescem post mortem
outros não temem, ainda
mas vejo na cara deles
a nostalgia de quando eram só garotos
e uma certeza adulta que tudo passa
por pior ou melhor que seja
tudo passa,
amigo
intensa pílula descrente de contra-indicações
alguma percepção futura, talvez
de cortes, mais ou menos homeopáticos
de tudo o quanto
desejávamos, sentíamos, esperávamos
alguns dos nossos amigos
envelheceram mais que nós
ou já são assim por natureza
cabelos que crescem post mortem
outros não temem, ainda
mas vejo na cara deles
a nostalgia de quando eram só garotos
e uma certeza adulta que tudo passa
por pior ou melhor que seja
tudo passa,
amigo
terça-feira, 3 de maio de 2011
o fracasso surreal
do século passado
ainda nos futuca
com tridentes e raios
mas agora
mais que antes
lâminas erram o alvo
pois olhamos de outro modo
o que não quer dizer muita coisa
mas já nos acostumamos com a ideia
de que somos homens
queria ser amigo de cachorros solitários
que observam pelas grades a noite vazia
antes do dia virar
melancolia
de vez
queria ser amigo de todos os cachorros solitários
não dos humanos
que os trouxeram para cá
do século passado
ainda nos futuca
com tridentes e raios
mas agora
mais que antes
lâminas erram o alvo
pois olhamos de outro modo
o que não quer dizer muita coisa
mas já nos acostumamos com a ideia
de que somos homens
queria ser amigo de cachorros solitários
que observam pelas grades a noite vazia
antes do dia virar
melancolia
de vez
queria ser amigo de todos os cachorros solitários
não dos humanos
que os trouxeram para cá
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Visual dream
Tive um sonho visual. Como em uma máquina, avião talvez, subíamos acima das torres gêmeas, víamos em um plongé a profundidade do mergulho e a terrível pretensão humana de Babel. No sonho, lembrava do Philippe Petit, equilibrista, que havia bolado um plano meticuloso (e realizado) de atravessar e desfrutar daquela altura na corda bamba. Era noite no sonho e as luzes da cidade eram como de um outro planeta. Acordei e só lembrei disso pois soube logo cedo que o tal Osama está agora morto, já que há muito tempo sua imagem perseguida escondia-se abaixo do solo.
Contam que Saint-Pol-Roux colocava um aviso em sua porta quando se recolhia para dormir: "Le poète travaille". Li isso ontem antes de dormir.
Contam que Saint-Pol-Roux colocava um aviso em sua porta quando se recolhia para dormir: "Le poète travaille". Li isso ontem antes de dormir.
sábado, 30 de abril de 2011
O canal do mangue
o canal do mangue
com suas flores amarelas
adornam seu esgoto
sem nenhuma pretensão de serem vistas
quem passeia a sua borda
e admira suas cores
quem as observa de longe
em uma rápida mira
no movimento do ônibus
só
a parada pichação
em um prédio secular abandonado
hospital de chagas
o canal do mangue
tem suas memórias
nas palmeiras derrubadas
na sua água sujinha
que corre quase parada
só um pobre anda a sua borda
e ele é motivo de desconfiança
seu descuido o condena
quem aceitará seu presente
com a mente aberta?
o canal do mangue
definitivamente
é muito sujo
para ser imagem do Rio
com suas flores amarelas
adornam seu esgoto
sem nenhuma pretensão de serem vistas
quem passeia a sua borda
e admira suas cores
quem as observa de longe
em uma rápida mira
no movimento do ônibus
só
a parada pichação
em um prédio secular abandonado
hospital de chagas
o canal do mangue
tem suas memórias
nas palmeiras derrubadas
na sua água sujinha
que corre quase parada
só um pobre anda a sua borda
e ele é motivo de desconfiança
seu descuido o condena
quem aceitará seu presente
com a mente aberta?
o canal do mangue
definitivamente
é muito sujo
para ser imagem do Rio
Canal do Mangue- Marc Ferrez- 1905
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Figueira
vocês, homens e mulheres
que sabem mil músicas decoradas
há anos armazenadas
das memórias de fins de semana
cervejas, cigarros
algumas estradas
cantadas e requentadas
vocês cantam bem se bronzeando
enquanto o mar passa gélido
vindo da corrente sul
Antártida e seu azul
coexistem com o som dos trópicos
ano após ano
vocês falam com experiência
para nós, meninos urbanos
vocês viveram outro tempo
que nós apenas estudamos
que sabem mil músicas decoradas
há anos armazenadas
das memórias de fins de semana
cervejas, cigarros
algumas estradas
cantadas e requentadas
vocês cantam bem se bronzeando
enquanto o mar passa gélido
vindo da corrente sul
Antártida e seu azul
coexistem com o som dos trópicos
ano após ano
vocês falam com experiência
para nós, meninos urbanos
vocês viveram outro tempo
que nós apenas estudamos
terça-feira, 19 de abril de 2011
blues da terça
fazia muitos dias, babe
que não ouvia as tuas cordas vibrarem
tua música surgir do quarto
e o violão libertar a casa
até o besouro assombrado
parou pra ver
da parede
uma ternura perdurou
e derrubou algumas traças
dos nossos cantos
eu já fiz algumas canções de amor, babe
que você nunca musicou
que não ouvia as tuas cordas vibrarem
tua música surgir do quarto
e o violão libertar a casa
até o besouro assombrado
parou pra ver
da parede
uma ternura perdurou
e derrubou algumas traças
dos nossos cantos
eu já fiz algumas canções de amor, babe
que você nunca musicou
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Rei
faz muito pouco tempo
que a paisagem estava vazia
pouco, muito
é o que conseguimos ver
como um rei resignado
que abandona seu trono
lendo uma revista de astronomia
e outra de botânica
saiu em comitiva
para outros assumiram o poder
que nunca foi seu
quem está preocupado com o quê
que a paisagem estava vazia
pouco, muito
é o que conseguimos ver
como um rei resignado
que abandona seu trono
lendo uma revista de astronomia
e outra de botânica
saiu em comitiva
para outros assumiram o poder
que nunca foi seu
quem está preocupado com o quê
quinta-feira, 14 de abril de 2011
e lá vem
lá de longe
chegando feito furacões
com seu rabinhos
fazendo cócegas na terra
apavorando alguns distraídos
traindo algumas previsões
independe de meteorologia
dos mapas das nações
de radares ou satélites
lá vem acariciando
crianças e anões
seu golpe é um continuum
quem escapa
não sabe o que está perdendo
quem se esconde
é detento
quem o enfrenta
vai voar
lá de longe
chegando feito furacões
com seu rabinhos
fazendo cócegas na terra
apavorando alguns distraídos
traindo algumas previsões
independe de meteorologia
dos mapas das nações
de radares ou satélites
lá vem acariciando
crianças e anões
seu golpe é um continuum
quem escapa
não sabe o que está perdendo
quem se esconde
é detento
quem o enfrenta
vai voar
terça-feira, 5 de abril de 2011
uma luz verde
dança no prédio vizinho
naquela madrugada
quadros camuflados
surgem na parede do quarto
em um atitude sínica
como se sempre estivessem ali
não precisamos de óculos
para tirar nossas dúvidas
muito menos de sapatos ou asfalto
para andar pela estrada
e muitas são as vezes
que não dá em nada
luzes que travam nosso sono
desses tempos lacrados
em material plástico
espetam nossas pálpebras
como a angústia de um gordo mórbido
que ao entrar no ônibus
não consegue sentar
angústia que precede
peso dos nossos corpos caindo por toda parte
articulações pagando penitências
e nossos olhos ainda travados
é preciso dar uma lembrança
pra quem precisa dela
pra quem não tem nada
pra quem consumiu o passado
um estojo aveludado
comprado nas mãos de um charlatão
dança no prédio vizinho
naquela madrugada
quadros camuflados
surgem na parede do quarto
em um atitude sínica
como se sempre estivessem ali
não precisamos de óculos
para tirar nossas dúvidas
muito menos de sapatos ou asfalto
para andar pela estrada
e muitas são as vezes
que não dá em nada
luzes que travam nosso sono
desses tempos lacrados
em material plástico
espetam nossas pálpebras
como a angústia de um gordo mórbido
que ao entrar no ônibus
não consegue sentar
angústia que precede
peso dos nossos corpos caindo por toda parte
articulações pagando penitências
e nossos olhos ainda travados
é preciso dar uma lembrança
pra quem precisa dela
pra quem não tem nada
pra quem consumiu o passado
um estojo aveludado
comprado nas mãos de um charlatão
quarta-feira, 30 de março de 2011
a cúpula dos loucos
um incêndio destruiu a praia vermelha
seus cristais de areia
viraram brasas para eles soprarem
nos olhos de bombeiros
e de alunos distraídos com o passado
seus descendentes com certeza
sentiram mesmo trancafiados
o calor dos seus ancestrais insanos
sentados no topo
juntos com as estátuas
no teto da capela
onde seus corpos nunca rezaram
eles espreitavam a movimentação
o caos da segunda-feira
seus cristais de areia
viraram brasas para eles soprarem
nos olhos de bombeiros
e de alunos distraídos com o passado
seus descendentes com certeza
sentiram mesmo trancafiados
o calor dos seus ancestrais insanos
sentados no topo
juntos com as estátuas
no teto da capela
onde seus corpos nunca rezaram
eles espreitavam a movimentação
o caos da segunda-feira
domingo, 27 de março de 2011
Favoritos
um filho
muda os passos do homem
pois com suas pequeninas pernas
impõe o ritmo das quimeras
um filho
prematuro
tão miúdo
mas que segurou o dedo do pai
reconhecendo sua voz desafinada
que ele escutava em sua órbita aquática
filhos crescem
com o pai longe ou perto
filhos são do mundo
e no fundo, no fundo
o pai aprende a lição
muda os passos do homem
pois com suas pequeninas pernas
impõe o ritmo das quimeras
um filho
prematuro
tão miúdo
mas que segurou o dedo do pai
reconhecendo sua voz desafinada
que ele escutava em sua órbita aquática
filhos crescem
com o pai longe ou perto
filhos são do mundo
e no fundo, no fundo
o pai aprende a lição
sábado, 19 de março de 2011
supermoon
quero ver as grávidas
dançando hoje
com seus fetos flutuando
na água da lua
elas pisarão no solo
eles baterão no couro
de animais mortos
que ressuscitarão na lança
de São Jorge
logradas as pupilas dilatadas
dos cegos
que sem dúvida
hoje verão
enquanto muitos estarão dormindo
festas vem esgarçar a noite
e amanhã é domingo
para cair em camas
e descansar
dançando hoje
com seus fetos flutuando
na água da lua
elas pisarão no solo
eles baterão no couro
de animais mortos
que ressuscitarão na lança
de São Jorge
logradas as pupilas dilatadas
dos cegos
que sem dúvida
hoje verão
enquanto muitos estarão dormindo
festas vem esgarçar a noite
e amanhã é domingo
para cair em camas
e descansar
quinta-feira, 17 de março de 2011
terça-feira, 15 de março de 2011
suspense
viemos
não aparecemos
nem ficaremos
parados
arados
já moveram a terra
hoje ordens indiretas
por nós emanadas
existimos na carne
e na nossa imagem
carne essa apodrecerá
na química dos micróbios
seremos ativos
seguindo o silêncio
minerais, suspense
quarta-feira, 9 de março de 2011
segunda-feira, 7 de março de 2011
carnaval
essa festa sempre teve a pretensão
de fazer sumir
de suspender
tanta pressão
de séculos
em alguns dias
mas os batuques daqui
ressuscitam velhos e velhas
que aparecem na forma de pretinhos
nos arcos da Lapa
uma me ofertou uma lantejoula
baculejando com um olhar
qualquer coisa na sua altura
à altura dos bolsos
de fazer sumir
de suspender
tanta pressão
de séculos
em alguns dias
mas os batuques daqui
ressuscitam velhos e velhas
que aparecem na forma de pretinhos
nos arcos da Lapa
uma me ofertou uma lantejoula
baculejando com um olhar
qualquer coisa na sua altura
à altura dos bolsos
terça-feira, 1 de março de 2011
Em/sobre/com Sampa
1.
A poesia
é o refúgio
para pensamentos vãos
não se sentirem
tão banais assim
esperando
pelo o que aguardamos de nós, enfim
a meta-
existência
2.
rua
reta
laterais
certas
invenções arquitetônicas
o que elas quebram?
homens andam com os olhos no que queriam
e se assustam com qualquer abordagem
é o bom dia
é a polida passagem
esse povo que nem sabe mais
bater palmas
muito menos
fugir
do seu setor
não se misturam
concreta
sua estrutura
nunca vi o caminho ser uma linha reta
A poesia
é o refúgio
para pensamentos vãos
não se sentirem
tão banais assim
esperando
pelo o que aguardamos de nós, enfim
a meta-
existência
2.
rua
reta
laterais
certas
invenções arquitetônicas
o que elas quebram?
homens andam com os olhos no que queriam
e se assustam com qualquer abordagem
é o bom dia
é a polida passagem
esse povo que nem sabe mais
bater palmas
muito menos
fugir
do seu setor
não se misturam
concreta
sua estrutura
nunca vi o caminho ser uma linha reta
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
lição
Aquele cara me mandou descer
a rua
ou subir o mais breve relevo
situações aberrantes
berros sufocantes
internos e extenuantes
Assim ordenou
com uma piscada de olho
pra eu ficar perto de gente
para descobrir no defeito do outro
o quanto sou errado
saber do branco
e lembrar do encarnado
Ele me mandou
bem enxergar e
errar bastante
pra ver se um dia aprendo
o que eu acho bonito
a rua
ou subir o mais breve relevo
situações aberrantes
berros sufocantes
internos e extenuantes
Assim ordenou
com uma piscada de olho
pra eu ficar perto de gente
para descobrir no defeito do outro
o quanto sou errado
saber do branco
e lembrar do encarnado
Ele me mandou
bem enxergar e
errar bastante
pra ver se um dia aprendo
o que eu acho bonito
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
estamos circulando
para cima e para baixo
arrastando está
a canção do serpentário
às vezes nem se olha
nem pra cima nem pra baixo
só segue
arrastar acelerado
e quando não se aguenta mais
se segura mais um pouco
no corrimão
quantas mãos passam por ali
deslizando as linhas dos seus destinos
somos mais temerosos que os meninos
travessos, escorregam brincando
naqueles que os apóiam
*
caimos em casa a noite
contemplando só o teto
poucos segundos antes do último açoite
não fizemos nada
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
minha mãe sempre dizia
alento, sopro caindo
na cordilheira
correndo as pedras
nenhuma vegetação
ou fronteira para atravessar
um pulo para ir
outro para se afogar
um grande lago
nenhum bicho aparente
só eu escabreado
sôfrego cuidado
esporão saindo do cóccix
e atingindo minha cabeça
cuidado!
o perigo mora aqui dentro
lembrança que chega
mas não toma forma
não ganha corpo
ganha meu corpo
e me atola
não consigo ver mais nada
nem o que toma minha mente
o que foi é o que será
somente
na cordilheira
correndo as pedras
nenhuma vegetação
ou fronteira para atravessar
um pulo para ir
outro para se afogar
um grande lago
nenhum bicho aparente
só eu escabreado
sôfrego cuidado
esporão saindo do cóccix
e atingindo minha cabeça
cuidado!
o perigo mora aqui dentro
lembrança que chega
mas não toma forma
não ganha corpo
ganha meu corpo
e me atola
não consigo ver mais nada
nem o que toma minha mente
o que foi é o que será
somente
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Upaon-açu
saio pela cidade
rememorando o que perdemos no caminho
mais que migalhas
para sair e para voltar
sujamos nossos pés na lama
no esgoto
céu aberto, ferida, sôfrego
o que ali estava
resta apenas mil ruínas de um corpo
estilhaçado, esquartejado, liquidado
que karma para você
que era tão bonita
que é tão bonita
e mal consigo reconhecer teus traços
e teu sorriso
e mal quero assumir nosso parentesco
pergunto-me se tenho vergonha
raiva ou só um descontento
crônicas cotidianas de lamento
nas ruas apagadas
cheiro de mijo e bosta
vultos de zumbis
ou sujas abordagens
pedindo vinte e cinco centavos
ao mesmo tempo que espreita nossa bolsa
poluição de tudo
do mangue, do mar, do trânsito, do som
uma zuada suja intermitente
da falta de opção
no público cujo sinônimo é decrépito
nos homens de atos medíocres
no horto que subimos de costa
olhando para trás
procurando algum vestígio do que fomos
e esperando a volta do pêndulo
rememorando o que perdemos no caminho
mais que migalhas
para sair e para voltar
sujamos nossos pés na lama
no esgoto
céu aberto, ferida, sôfrego
o que ali estava
resta apenas mil ruínas de um corpo
estilhaçado, esquartejado, liquidado
que karma para você
que era tão bonita
que é tão bonita
e mal consigo reconhecer teus traços
e teu sorriso
e mal quero assumir nosso parentesco
pergunto-me se tenho vergonha
raiva ou só um descontento
crônicas cotidianas de lamento
nas ruas apagadas
cheiro de mijo e bosta
vultos de zumbis
ou sujas abordagens
pedindo vinte e cinco centavos
ao mesmo tempo que espreita nossa bolsa
poluição de tudo
do mangue, do mar, do trânsito, do som
uma zuada suja intermitente
da falta de opção
no público cujo sinônimo é decrépito
nos homens de atos medíocres
no horto que subimos de costa
olhando para trás
procurando algum vestígio do que fomos
e esperando a volta do pêndulo
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
as corujas agora moram
ao lado do meu quarto
um canto arranha céu
e trincheiras de sonhos exatos
não as vejo
mas aqui elas estão
não como a lembrança de uma maldição
mas um grito de proteção
pegando rato
matando na unha
*
penso pela ingenuidade que passamos
e aquela que ainda move nossos lábios
infantis
perguntas de primeira ordem
e respostas silenciosas
seu alcance é uma chama
que esfria na ponta
fiquemos juntos, porém calados
ao lado do meu quarto
um canto arranha céu
e trincheiras de sonhos exatos
não as vejo
mas aqui elas estão
não como a lembrança de uma maldição
mas um grito de proteção
pegando rato
matando na unha
*
penso pela ingenuidade que passamos
e aquela que ainda move nossos lábios
infantis
perguntas de primeira ordem
e respostas silenciosas
seu alcance é uma chama
que esfria na ponta
fiquemos juntos, porém calados
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