quarta-feira, 28 de julho de 2010

terça-feira, 20 de julho de 2010

um ano depois
o que sucedeu

as mesmas linhas
alguns nós
desenrrolaram
outros pois
reconduziram
a outros novelos
de nós

só
o pensamento cresce
na direção das águas

sábado, 17 de julho de 2010

O Ritornelo, uma poética musical

Há mais ou menos dois meses, eu e Bruno Barata decidimos fazer o curso de arte sonora na EAV Parque Lage, com os professores Saulo Laudares e Franz Manata. Decisão no feeling, nem sabíamos direito o que era delimitado por Arte Sonora na verdade, mas desde a primeira aula fomos indagados para pensar um trabalho para um happening.

Foi daí que surgiu a idéia de explorar o conceito do ritornelo, que é pertencente a vários domínios. Trata-se dos movimentos de retorno, seja relacionado à música, como um refrão, ao comportamento dos animais que marcam seu território ou ainda filosoficamente, relacionado à construção da subjetividade humana.

Os movimentos do ritornelo demonstram a lógica cíclica da natureza e foi o que inspirou a construção dessa “performance” realizada ontem pela primeira vez com caráter experimental de uma poética musical. A idéia era explorar os movimentos do ritornelo, “procurar um território”, “partir” e “retornar”, pelos números 6, 9 e 8, três movimentos e três momentos nesse show experimental.

Este tempo cíclico do ritornelo é expresso em um conceito base: o looping, a repetição de uma amostra. Sete músicas foram compostas unindo capoeira com blues, caixa do divino com melodia árabe ou canto de pássaros, entre reverses e explorações dessas loops no live, como uma gaita capoeira ou um tambor de crioula no qual o tambor grande é uma guitarra. Fora as músicas: Orvalho em Desatino, É, Sambaqui, Sem Aviso, Samba dos Barbilhões e Ritornelo. Essas foram escolhidas no livro de composições do Bruno, pensando sempre nos ritornelos da vida.

O Happening em si foi bem legal. O conjunto dos trabalhos davam uma consistência ao todo e a chuva interminável de ontem parecia que estava no lugar certo. Eu, na verdade, pensei que deveríamos estar numa sala menor, algo mais intimista e para manter a idéia de cantar sem microfone, já que fazer isso em uma sala relativamente grande era difícil de comunicar, em especial a letra das músicas. Mas calculamos mesmo que existiria esse vai e vem do público e cada pessoa que falou conosco depois, parecia ter gostado momentos diferentes.

Ontem ao agradecer, disse que era grata aos que ficaram, mas não somente, a todos os que ali passaram, aos professores e colegas do curso de Arte Sonora, à Carolina Libério, Marrytsa Mel, Claudiana Cotrim e a Victa de Carvalho, que muito cooperaram, além de todos os mestres que nos guiaram nesta pesquisa.  Dedico esse trabalho também à Karem, minha sobrinha, que ontem fez 2 anos, e à minha orientadora do mestrado, Fernanda Bruno, que viajou ontem pro PosDoc em Paris, e que foi em uma das suas aulas que estudamos o texto do Guattari de onde veio as primeiras idéias.

Continuamos estudando e esperamos realizar a performance em breve, melhor e até o fim, concluindo os movimentos e transformando o que somos, em um ritornelo que não é apenas sonoro, mas poético, entendendo que o som e a música estão presentes em toda matéria e expressam este movimento de ação contínua, os ciclos, o eterno retorno.







Fotos de Carolina Libério

terça-feira, 13 de julho de 2010


Depois do curso de arte sonora, eu e bruno barata preparamos um trabalho que visa ser um laboratório de um show experimental a partir das nossas pesquisas sobre esse conceito instigante, O Ritornelo.
Sendo mais questionamentos que resultados, essa "performance" procura mais o caminho que a chegada.  Aprender vivendo. Vamos saravar!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

o corpo nu
é o corpo da dobra

o que sobra
depois
e antes
de tudo o que cobre

adereços

domingo, 4 de julho de 2010

se andamos desenfreados
paramos com a queda
fervor do meio-dia
dia com o clamor
dos sentidos
enganadores talvez

ingenuidade não é virtude
só os bons dão sem querer
e os bons são poucos
e ser bom é pouco

a comida selecionada
do caldeirão do rei
veio da mesma plantação
do grão que se estragou

quinta-feira, 1 de julho de 2010

a matemática
acaba com o acaso
com a casa
dos grãos e dos pontos
a escala é a escada
que subimos
circulando

terça-feira, 29 de junho de 2010

o espaço
sideral
nosso laço
visceral
nos permite
aqui estar
em tudo

e nos 20 metros
quadrados
que nos foi dado

lá fora
também é nossa
casa

sábado, 26 de junho de 2010

à quoi ça sert un chat

poderia ser
pelo
madre
pérola

poderia ser
toque
sono
o belo

a brincadeira
o tédio

mas nascemos humanos
a cesta de frutas
apodreceu
nenhuma plenitude
de natureza morta
apenas o movimento
microscópico
e seu odor

não comerei mais
nada
em decomposição

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Oamoraentregapeloounooamor
Tenhonessemundomeucorpo
Quedescubrocontigomeuabrigo
a realidade é isso
que aí está
que aqui está
que onipresentemente
é
a imagem
é um ponto
que pode estar fora
ou dentro de nós
nós somos a realidade
e a imagem também
é
em sua representação
Doce ilusão
que poderíamos
por um extensor
ver a beleza do instante
em sua completude

Paralisada
para sempre

Mas Ela só é
no seu instante

O fotográfo é aquele que está
Com seu extensor

quarta-feira, 2 de junho de 2010

parece que estamos sempre voltando
procurando o sapato da criança
que caiu

terça-feira, 25 de maio de 2010

conto para uma criança

quando morávamos no mato
meus cabelos você penteava
eu era teu filho
além da espécie
teu pai
que te carregava
até quando você me pediu as costas
e eu te trouxe para cá
onde agora recebo essa bala
me despeço e me desculpo
por ser aos teus olhos
irracional
cavalo

segunda-feira, 24 de maio de 2010

o parque lotado
os animais
festejam as migalhas
falhas
tralhas

que nada
eles estão tudo entendendo
e até os mutantes
envelhecem

quinta-feira, 20 de maio de 2010

não sei se só eu
ou se todo mundo
sem querer dizer
perdemos o que investimos
cédulas ou células
a caixa
o porco
a economia

dispendiosa

perdi

não só hoje, mas está em mim
a perda

terça-feira, 18 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ficar só
dá preguiça
ao grito

o poeta sente
portantos

nada conclui
o gramado
é a cama
deste intervalo

cuidado para não
machucar
dói também
baobá
sóis
numérica vila
sou o orgânico
corredores
no alicerce
o conjunto dinâmico
paraíso

para isso


porque tua direita

é o meu inverso

peço o silêncio





loraiê

quinta-feira, 13 de maio de 2010

a pedra está a ser
por um momento
o fluido que a formou
se comportou
idêntico a
isso

insisto cada vez
duvidando
em forma de sentenças
quando tudo eventua
atua

não queria estar falando de tempo
mas vejo todos os dias na minha pele
suando o calor de tudo
isso
parece recente

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Hoje senti
de forma tão forte
cada estímulo
bom ou ruim
ou simplesmente
leve ou pesado

no gosto camarão seco
senti o mar exausto
mas tranquilo

o sorriso do reconhecimento
o conforto da presença

no sabor dos frutos
que cairam
das árvores

hoje, é apenas um dia
diferente de todos os outros

ordinários

segunda-feira, 3 de maio de 2010

As flores dos defuntos
são tão perfumadas
elas estão vivas
enfeitando calçadas
para os mortos passarem

domingo, 2 de maio de 2010

a formiga trabalha
"até de noite!"
e a economia só vive em crise

e assim, eu, indiferente
ou não
tento colocar-me
ando saltitando
quanticamente
raios de possibilidades
um guerreiro
senta sempre ao meu lado

disfarçado

para eu
só
treinar o frio da espada

que passa
decaptando ilusões
ninguém sabe de nada
mas vamos tudo aprender

criança toca fogo no formigueiro
se queima e volta lá
no quintal
eremitas coptas
fuga como tal
vez de querer

somos lagartas de fogo
esperando aquele que conosco
vem se queimar

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sobre a foto do blog

Perguntaram-me sobre a foto do blog, pois bem, trata-se de uma reedição de uma fotografia da série intitulada "Memórias desenterradas do quintal". 

domingo, 18 de abril de 2010

certo dia
descobri
que algo que acreditei estar certo
era justamente o contrário

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O Ritornelo

Há seis anos, comecei a lançar mensalmente um fanzine de poesias intitulado FA-DA-DO, que tinha em conjunto um blog homônimo. O fanzine aconteceu com periodicidade durante um ano e o blog existe até hoje (www.fa-da-do.blogspot.com), apesar de algumas pausas e mudanças ocorridas pelo caminho. Mas a partir de certo momento, comecei a me questionar se o nome FA-DA-DO ainda era condizente com a minha poética. Não era. Depois de muito procurar, encontrei um termo, um animal exótico: O Ritornelo. A poesia, música e filosofia do retorno.
Essa estrofe que repetimos nos faz pensar que a música é nossa e que ela é eterna.