terça-feira, 29 de junho de 2010

o espaço
sideral
nosso laço
visceral
nos permite
aqui estar
em tudo

e nos 20 metros
quadrados
que nos foi dado

lá fora
também é nossa
casa

sábado, 26 de junho de 2010

à quoi ça sert un chat

poderia ser
pelo
madre
pérola

poderia ser
toque
sono
o belo

a brincadeira
o tédio

mas nascemos humanos
a cesta de frutas
apodreceu
nenhuma plenitude
de natureza morta
apenas o movimento
microscópico
e seu odor

não comerei mais
nada
em decomposição

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Oamoraentregapeloounooamor
Tenhonessemundomeucorpo
Quedescubrocontigomeuabrigo
a realidade é isso
que aí está
que aqui está
que onipresentemente
é
a imagem
é um ponto
que pode estar fora
ou dentro de nós
nós somos a realidade
e a imagem também
é
em sua representação
Doce ilusão
que poderíamos
por um extensor
ver a beleza do instante
em sua completude

Paralisada
para sempre

Mas Ela só é
no seu instante

O fotográfo é aquele que está
Com seu extensor

quarta-feira, 2 de junho de 2010

parece que estamos sempre voltando
procurando o sapato da criança
que caiu

terça-feira, 25 de maio de 2010

conto para uma criança

quando morávamos no mato
meus cabelos você penteava
eu era teu filho
além da espécie
teu pai
que te carregava
até quando você me pediu as costas
e eu te trouxe para cá
onde agora recebo essa bala
me despeço e me desculpo
por ser aos teus olhos
irracional
cavalo

segunda-feira, 24 de maio de 2010

o parque lotado
os animais
festejam as migalhas
falhas
tralhas

que nada
eles estão tudo entendendo
e até os mutantes
envelhecem

quinta-feira, 20 de maio de 2010

não sei se só eu
ou se todo mundo
sem querer dizer
perdemos o que investimos
cédulas ou células
a caixa
o porco
a economia

dispendiosa

perdi

não só hoje, mas está em mim
a perda

terça-feira, 18 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ficar só
dá preguiça
ao grito

o poeta sente
portantos

nada conclui
o gramado
é a cama
deste intervalo

cuidado para não
machucar
dói também
baobá
sóis
numérica vila
sou o orgânico
corredores
no alicerce
o conjunto dinâmico
paraíso

para isso


porque tua direita

é o meu inverso

peço o silêncio





loraiê

quinta-feira, 13 de maio de 2010

a pedra está a ser
por um momento
o fluido que a formou
se comportou
idêntico a
isso

insisto cada vez
duvidando
em forma de sentenças
quando tudo eventua
atua

não queria estar falando de tempo
mas vejo todos os dias na minha pele
suando o calor de tudo
isso
parece recente

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Hoje senti
de forma tão forte
cada estímulo
bom ou ruim
ou simplesmente
leve ou pesado

no gosto camarão seco
senti o mar exausto
mas tranquilo

o sorriso do reconhecimento
o conforto da presença

no sabor dos frutos
que cairam
das árvores

hoje, é apenas um dia
diferente de todos os outros

ordinários

segunda-feira, 3 de maio de 2010

As flores dos defuntos
são tão perfumadas
elas estão vivas
enfeitando calçadas
para os mortos passarem

domingo, 2 de maio de 2010

a formiga trabalha
"até de noite!"
e a economia só vive em crise

e assim, eu, indiferente
ou não
tento colocar-me
ando saltitando
quanticamente
raios de possibilidades
um guerreiro
senta sempre ao meu lado

disfarçado

para eu
só
treinar o frio da espada

que passa
decaptando ilusões
ninguém sabe de nada
mas vamos tudo aprender

criança toca fogo no formigueiro
se queima e volta lá
no quintal
eremitas coptas
fuga como tal
vez de querer

somos lagartas de fogo
esperando aquele que conosco
vem se queimar

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sobre a foto do blog

Perguntaram-me sobre a foto do blog, pois bem, trata-se de uma reedição de uma fotografia da série intitulada "Memórias desenterradas do quintal". 

domingo, 18 de abril de 2010

certo dia
descobri
que algo que acreditei estar certo
era justamente o contrário

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O Ritornelo

Há seis anos, comecei a lançar mensalmente um fanzine de poesias intitulado FA-DA-DO, que tinha em conjunto um blog homônimo. O fanzine aconteceu com periodicidade durante um ano e o blog existe até hoje (www.fa-da-do.blogspot.com), apesar de algumas pausas e mudanças ocorridas pelo caminho. Mas a partir de certo momento, comecei a me questionar se o nome FA-DA-DO ainda era condizente com a minha poética. Não era. Depois de muito procurar, encontrei um termo, um animal exótico: O Ritornelo. A poesia, música e filosofia do retorno.
Essa estrofe que repetimos nos faz pensar que a música é nossa e que ela é eterna.