vejo fotos de menos de um ano atrás
vejo quem já morreu
nelas ainda um presságio
um susto redundante
o tempo tirando onda
da cara de quem ainda está vivo
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
informática
a informática está me matando
uma dor muscular neural terrível
somática dor terrível
eu desconheço o atalho
eu desconheço o trabalho
eu não consigo olhar nos olhos da tela
meus filamentos nervosos doem
tensiono minhas mãos e ombros
não enxergo ninguém a minha frente
enxergo todo mundo
uma dor muscular neural terrível
somática dor terrível
eu desconheço o atalho
eu desconheço o trabalho
eu não consigo olhar nos olhos da tela
meus filamentos nervosos doem
tensiono minhas mãos e ombros
não enxergo ninguém a minha frente
enxergo todo mundo
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
manhã
o Sol amanhece dourado
e esbranquece seco
a cigarra e o bando de macacos
alguns ficam por último, perdidos
mas recuperam no seu tempo
o tempo seguido de espaço
acordar logo e fazer
a pausa é uma ilusão
a companhia também é
eles estão sós
nós também a observar
os astros e a solidão serena
a criança que acorda
mais cedo que todos
no sítio
e esbranquece seco
a cigarra e o bando de macacos
alguns ficam por último, perdidos
mas recuperam no seu tempo
o tempo seguido de espaço
acordar logo e fazer
a pausa é uma ilusão
a companhia também é
eles estão sós
nós também a observar
os astros e a solidão serena
a criança que acorda
mais cedo que todos
no sítio
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
domingo, 27 de janeiro de 2013
caminhos
um dia a noite
colibri
uma noite um dia
sítio
à noite nós andando
um local privado
que não é de lugar nenhum
é do mundo
o jardim de Clara
é só uma sacada
com raras flores
ali passa um rio
um dia uma noite
passou uma enorme onda
um enorme rio
caminhos
Rio São João, 2013
Fogou
na roupa
na favela
intencional
a faísca
voou
caiu no mato seco
fogou!
marcou dourado
amarelo queimado
fumaça e cheiro de fumaça
fogou!
todos juntos reunidos
a fumaca
a xama
a faísca
voou
(poesia do dia 25 de janeiro de 2013)
na favela
intencional
a faísca
voou
caiu no mato seco
fogou!
marcou dourado
amarelo queimado
fumaça e cheiro de fumaça
fogou!
todos juntos reunidos
a fumaca
a xama
a faísca
voou
(poesia do dia 25 de janeiro de 2013)
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
retão
o caminho é longo
é um retão
num cavalo vai
quem monta o cavalo
vai no caminho reto
um retão
chega voando
um zumbido no ouvido
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
quem monta vai sustentar esse cavalo
com um outro zumbido zumbizando
no ouvido
voando
alta velocidade
galopar
um grito
no retão
vai embora
longe longe
alta velocidade
tem a frente uma menina
Isabel
segura tudo bem pequenina
ela é a menor
esnoba a alta velocidade
resta suas asas
mais frenéticas que o zumbido
é um retão
num cavalo vai
quem monta o cavalo
vai no caminho reto
um retão
chega voando
um zumbido no ouvido
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
quem monta vai sustentar esse cavalo
com um outro zumbido zumbizando
no ouvido
voando
alta velocidade
galopar
um grito
no retão
vai embora
longe longe
alta velocidade
tem a frente uma menina
Isabel
segura tudo bem pequenina
ela é a menor
esnoba a alta velocidade
resta suas asas
mais frenéticas que o zumbido
Breu
Subindo uma rua
ladeira preta
pra onde vamos
ninguém na rua
uma viva alma
um zumbi cracudo
dois caras passam numa bicicleta
acabo de pegar um ônibus recém assaltado
dois caras numa moto
olhando pra dentro do carro
o carro é uma cela
vazio de existência
externando o vazio
som alto saindo do carro
som alto na porta da casa
a porta vazia
um medo que grita no som da porta de casa
ladeira preta
pra onde vamos
ninguém na rua
uma viva alma
um zumbi cracudo
dois caras passam numa bicicleta
acabo de pegar um ônibus recém assaltado
dois caras numa moto
olhando pra dentro do carro
o carro é uma cela
vazio de existência
externando o vazio
som alto saindo do carro
som alto na porta da casa
a porta vazia
um medo que grita no som da porta de casa
sábado, 5 de janeiro de 2013
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
picotar
muito tempo pra cuidar da minha memória afetiva
vou picotar
pra ninguém encontrá-la por inteira
no lixo
cortar o rabisco
beijos, abraços e sorrisos
deixar uma lembrança serena
sem paixão, um consolo apenas
resposta rouca pro muito tempo
∞
TRANS
laboratório de transformação
transmutação
olhar para o entulho
e ver pequenos objetos da nossa memória
o que mesmo aproveitar da despensa?
pequenos objetos da nossa memória
é isso que vamos guardar
vou picotar
pra ninguém encontrá-la por inteira
no lixo
cortar o rabisco
beijos, abraços e sorrisos
deixar uma lembrança serena
sem paixão, um consolo apenas
resposta rouca pro muito tempo
∞
TRANS
laboratório de transformação
transmutação
olhar para o entulho
e ver pequenos objetos da nossa memória
o que mesmo aproveitar da despensa?
pequenos objetos da nossa memória
é isso que vamos guardar
sábado, 15 de dezembro de 2012
saga encardida
tudo sujo encardido
o ar preto do ônibus descontrolado
a caixa de som no porta malas do carro
os rastros da política nas paredes
colados com bandas das choperias
e preparatório para concurso público
a propaganda no outdoor não condiz
com quem espera o ônibus descontrolado
na parada, no sol quente, olhando pro lado
não dá pra vacilar, olhar de canto de olho
quem vai no carro teme se encardir
é melhor só parar no estacionamento do shopping
da ilha, o ar condicionado
o ar preto do ônibus descontrolado
a caixa de som no porta malas do carro
os rastros da política nas paredes
colados com bandas das choperias
e preparatório para concurso público
a propaganda no outdoor não condiz
com quem espera o ônibus descontrolado
na parada, no sol quente, olhando pro lado
não dá pra vacilar, olhar de canto de olho
quem vai no carro teme se encardir
é melhor só parar no estacionamento do shopping
da ilha, o ar condicionado
domingo, 9 de dezembro de 2012
sábado, 8 de dezembro de 2012
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
delicadeza
como vamos repetindo certas expressões
para coisas difíceis de serem nomeadas
harmonizar, será que é isso mesmo?
e o desconforto, que não cessa, só pausa
de vez em quando, de quando em vez
*
jasmim, flor branca
delicada
que não pode cair
no chão, os pés, a raíz
no mundo
um caderno vazio
preenchido com o que vem aqui
que pétala é essa
que cobre teus ossos e músculos
teu relógio de pulso por baixo
que marca o tempo que vem aí
jasmim, flor branca
para coisas difíceis de serem nomeadas
harmonizar, será que é isso mesmo?
e o desconforto, que não cessa, só pausa
de vez em quando, de quando em vez
*
jasmim, flor branca
delicada
que não pode cair
no chão, os pés, a raíz
no mundo
um caderno vazio
preenchido com o que vem aqui
que pétala é essa
que cobre teus ossos e músculos
teu relógio de pulso por baixo
que marca o tempo que vem aí
jasmim, flor branca
vista de Paquetá
vejo o rio lá de longe
o pão de açúcar
a localização do cristo
mas não ele
vejo o que o rio não vê
no meio da baía
navios insavores
com sua água da lastro
na nossa água
os rastros de todos nós
e de quem nem vive
anos de derrota
vejo o bico do papagaio
a merda branca das gaivotas
a nossa merda preta
flutuando no pet
depositada nas praias
com o desenho sincrônico da maré
nem na ponte
muito menos na vista mar
veriam o útero da baía
que sempre expele
a contento
sua placenta
aguardem
vejam
o pão de açúcar
a localização do cristo
mas não ele
vejo o que o rio não vê
no meio da baía
navios insavores
com sua água da lastro
na nossa água
os rastros de todos nós
e de quem nem vive
anos de derrota
vejo o bico do papagaio
a merda branca das gaivotas
a nossa merda preta
flutuando no pet
depositada nas praias
com o desenho sincrônico da maré
nem na ponte
muito menos na vista mar
veriam o útero da baía
que sempre expele
a contento
sua placenta
aguardem
vejam
Chácara dos Coqueiros
corredor da Chácara dos Coqueiros
de um lado aquela mulher querendo passar
a cachorra do outro
atenta
ela tinha o rosto deformado
e a voz também não sabia bem da sua boca
ela queria sair só pela ilha
andar de tênis e bolsa a tiracolo
só ilha
a volta na Chácara dos Coqueiros
na revolta
armada
a volta até a praia das donzelas
a praia tá cheia de cachorro, dizia
a praia tá bem vazia, pensava
baixa a maré
escassa mulher
atenta cachorra
ao canto da garça
ao canto da Chácara
de um lado aquela mulher querendo passar
a cachorra do outro
atenta
ela tinha o rosto deformado
e a voz também não sabia bem da sua boca
ela queria sair só pela ilha
andar de tênis e bolsa a tiracolo
só ilha
a volta na Chácara dos Coqueiros
na revolta
armada
a volta até a praia das donzelas
a praia tá cheia de cachorro, dizia
a praia tá bem vazia, pensava
baixa a maré
escassa mulher
atenta cachorra
ao canto da garça
ao canto da Chácara
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
violência
gole seco
galho seco
punho serrado
dedo apontado
voz alterada
não é resposta a nada
só é
violência
eles podem me agredir
eles podem surtar a qualquer momento
podemos nos quebrar a qualquer instante
como louça que despedaça em três pedaços
eu posso surtar a qualquer instante
onde eu achava ser mais calmo
é um poço da violência
chega ao centro da terra
lava
seca
petrifica
galho seco
punho serrado
dedo apontado
voz alterada
não é resposta a nada
só é
violência
eles podem me agredir
eles podem surtar a qualquer momento
podemos nos quebrar a qualquer instante
como louça que despedaça em três pedaços
eu posso surtar a qualquer instante
onde eu achava ser mais calmo
é um poço da violência
chega ao centro da terra
lava
seca
petrifica
terça-feira, 20 de novembro de 2012
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Barca
Barca de Paquetá. Dois andares. Embaixo, na
parte de trás, ficam os coroas jogando baralho; na parte da frente, a velha
guarda paquetaense mais comportada. Em cima, lá fora, fumantes de todo tipo despistando
o controle; na parte de trás é a bagunça, pessoas falando alto, tomando cerveja
e comendo salgadinho; na parte da frente, os jovens mais comportados, alguns lendo,
outros com notebook ou celular, alguns poucos estudam pra concurso.
Alguns dormem os 70 minutos do trajeto.
Outros nunca deixam de olhar a baía de Guanabara.
*
martim afonso [poesia de bruno barata]
muitos de cabeça baixa, cochilam
caça-palavras
proa e convés
crianças correm,
velhos e compras.
o distinto senhor
fuma um cigarro
como disfarce de seu peido
aparatos e tecnologias
comunicando e distraindo
**
martim afonso
itapuca
ipanema
lagoa
vital brazil
expresso macaé
itaipu
porta
uma criança chora na minha porta
querendo entrar
na casa que não é minha
o que eu faço com quem procura
com quem grita a inocência de menino?
um menino é um menino
é daquele que passar
passar é a tristeza do menino
a corda que arrebenta
pro lado mais fraco
é a própria tristeza do menino
gosto da sua letra bem contornada
de forma, em forma
mas a vida chora aos soluços do menino
indiferença da costa que se vira
querendo entrar
na casa que não é minha
o que eu faço com quem procura
com quem grita a inocência de menino?
um menino é um menino
é daquele que passar
passar é a tristeza do menino
a corda que arrebenta
pro lado mais fraco
é a própria tristeza do menino
gosto da sua letra bem contornada
de forma, em forma
mas a vida chora aos soluços do menino
indiferença da costa que se vira
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
domingo, 28 de outubro de 2012
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Deixa o índio vivo
Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o Governo e Justiça do Brasil
Nós (50 homens, 50 mulheres e 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, viemos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de da ordem de despacho expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, do dia 29 de setembro de 2012. Recebemos a informação de que nossa comunidade logo será atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal, de Navirai-MS.
Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver à margem do rio Hovy e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay. Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy onde já ocorreram quatro mortes, sendo duas por meio de suicídio e duas em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas.
Moramos na margem do rio Hovy há mais de um ano e estamos sem nenhuma assistência, isolados, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Passamos tudo isso para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs, avós, bisavôs e bisavós, ali estão os cemitérios de todos nossos antepassados.
Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui.
Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação e extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais. Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal. Decretem a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e enterrem-nos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem mortos.
Sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo em ritmo acelerado. Sabemos que seremos expulsos daqui da margem do rio pela Justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos coletivamente aqui. Não temos outra opção esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.
Atenciosamente, Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay
Nós (50 homens, 50 mulheres e 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, viemos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de da ordem de despacho expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, do dia 29 de setembro de 2012. Recebemos a informação de que nossa comunidade logo será atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal, de Navirai-MS.
Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver à margem do rio Hovy e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay. Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy onde já ocorreram quatro mortes, sendo duas por meio de suicídio e duas em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas.
Moramos na margem do rio Hovy há mais de um ano e estamos sem nenhuma assistência, isolados, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Passamos tudo isso para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs, avós, bisavôs e bisavós, ali estão os cemitérios de todos nossos antepassados.
Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui.
Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação e extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais. Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal. Decretem a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e enterrem-nos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem mortos.
Sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo em ritmo acelerado. Sabemos que seremos expulsos daqui da margem do rio pela Justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos coletivamente aqui. Não temos outra opção esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.
Atenciosamente, Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay
Borzeguim, deixa as fraldas ao vento
E vem dançar
E vem dançar
Hoje é sexta-feira de manhã
Hoje é sexta-feira
Deixa o mato crescer em paz
Deixa o mato crescer
Deixa o mato
Não quero fogo, quero água
(deixa o mato crescer em paz)
Não quero fogo, quero água
(deixa o mato crescer)
Hoje é sexta-feira da paixão sexta-feira santa
Todo dia é dia de perdão
Todo dia é dia santo
Todo santo dia
Ah, e vem João e vem Maria
Todo dia é dia de folia
Ah, e vem João e vem Maria
Todo dia é dia
O chão no chão
O pé na pedra
O pé no céu
Deixa o tatu-bola no lugar
Deixa a capivara atravessar
Deixa a anta cruzar o ribeirão
Deixa o índio vivo no sertão
Deixa o índio vivo nu
Deixa o índio vivo
Deixa o índio
Deixa, deixa
Escuta o mato crescendo em paz
Escuta o mato crescendo
Escuta o mato
Escuta
Escuta o vento cantando no arvoredo
Passarim passarão no passaredo
Deixa a índia criar seu curumim
Vá embora daqui coisa ruim
Some logo
Vá embora
Em nome de Deus é fruta do mato
Borzeguim deixa as fraldas ao vento
E vem dançar
E vem dançar
O jacu já tá velho na fruteira
O lagarto teiú tá na soleira
Uirassu foi rever a cordilheira
Gavião grande é bicho sem fronteira
Cutucurim
Gavião-zão
Gavião-ão
Caapora do mato é capitão
Ele é dono da mata e do sertão
Caapora do mato é guardião
É vigia da mata e do sertão
(Yauaretê, Jaguaretê)
Deixa a onça viva na floresta
Deixa o peixe n'água que é uma festa
Deixa o índio vivo
Deixa o índio
Deixa
Deixa
Dizem que o sertão vai virar mar
Diz que o mar vai virar sertão
Deixa o índio
Dizem que o mar vai virar sertão
Diz que o sertão vai virar mar
Deixa o índio
Deixa
Deixa
(Borzeguim, Tom Jobim)
Aqui
banho de sol vento de chuva
aqui tem um perfume delicioso de flor de laranjeira
de dama da noite, de jasmim
aqui tem vento de chuva na cara
quando andamos de bicicleta
aqui tem poeira ou lama
aqui tem pitomba, siriguela
aqui não tem mais as frutas daqui
aqui não tem mais água límpida
aqui a violência chegou na baía
aqui
aqui tem um perfume delicioso de flor de laranjeira
de dama da noite, de jasmim
aqui tem vento de chuva na cara
quando andamos de bicicleta
aqui tem poeira ou lama
aqui tem pitomba, siriguela
aqui não tem mais as frutas daqui
aqui não tem mais água límpida
aqui a violência chegou na baía
aqui
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
quem?
Ninguém mais quer vir pra Paquetá.
*
- Você não pode entrar na água, está suja!
- Ô mãe, então a gente veio pra Paquetá pra quê? Pra tirar foto?
*
- Você não pode entrar na água, está suja!
- Ô mãe, então a gente veio pra Paquetá pra quê? Pra tirar foto?
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
fim do ano
o ano não pode parar
tenho muito o que fazer
o mundo pode parar
o ano pode parar
tenho ainda o que fazer
tenho muito pouco o que fazer
tenho o mundo o ano tá acabando
hoje é quinta-feira
fim de outubro
bê erre ó bró
calor insuportável em Teresina
o mundo pode parar
o ano pode parar
tenho muito o que fazer
o mundo pode parar
o ano pode parar
tenho ainda o que fazer
tenho muito pouco o que fazer
tenho o mundo o ano tá acabando
hoje é quinta-feira
fim de outubro
bê erre ó bró
calor insuportável em Teresina
o mundo pode parar
o ano pode parar
lembranças
foi muito bom esse tempo que passamos
juntos
tiramos várias fotos de nós
futuros defuntos
o futuro que aos seus pertence
pertences
tá sendo bom esse tempo
que passamos
juntos
tiramos várias fotos de nós
futuros defuntos
o futuro que aos seus pertence
pertences
tá sendo bom esse tempo
que passamos
terça-feira, 16 de outubro de 2012
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
sábado, 13 de outubro de 2012
gritos
três gatos sentados na mesa de tampo de vidro
de madeira
pintados
com folhas de pavão, até, no peito
gritos
um dia foi assim:
estava na fila pra pagar quando aconteceu
agora gritos
pássaros, ah, os pássaros são relógios
as folhas de manga que eram meninas
claro verde esperto
cresceram tão rápido
foi essa cor de musgo que vi no ano novo
esse mesmo cinza de lombraslembranças
pequenas manguinhas penduradas
novas moças de peitos durinhos
gritos
de madeira
pintados
com folhas de pavão, até, no peito
gritos
um dia foi assim:
estava na fila pra pagar quando aconteceu
agora gritos
pássaros, ah, os pássaros são relógios
as folhas de manga que eram meninas
claro verde esperto
cresceram tão rápido
foi essa cor de musgo que vi no ano novo
esse mesmo cinza de lombraslembranças
pequenas manguinhas penduradas
novas moças de peitos durinhos
gritos
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
vou te dar só o que te faz sorrir
tu que não precisas saber de lamento
pois já viveste de tudo
vou te dar só o que te faz sorrir
tu que não precisas saber de lamento
pois já viveste de tudo
pouco vivi
pouco sei
como tu sabes
pois já viveste de tudo
vou te dar só o que te faz sorrir
tu que não precisas saber de lamento
pois já viveste de tudo
pouco vivi
pouco sei
como tu sabes
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Morro de fogo
um vulcão eclodindo como um ovo
lavas de luzes formam
um elefante medonho.
Quem tem medo daquele lugar?
Eu vi faces apavoradas
e espelho refletindo minha tensão.
Vimos a cidade de lá
como um outro universo
também eclodindo
fogos de ano novo
sinais de fogo
de um povo que precisa ver
enquanto lá, no seu topo
somente o vento frio reveste
os dois irmãos
separados
por zonas
nada mais categórico.
Lembro do meu corpo contraindo
como se estivesse com a febre da peste
o frio do pensamento
em movimentos involuntários
e ainda assim
descemos até o mar
para verificar sinais de ambundância para todos.
Os peixes que pulam do cardume
não tem dono algum
nem as gaivotas que espreitam
nem os olhos dos homens.
O coletivo mantém o uno
quando não é multidão.
Subimos o Apoador
uma pedra lunar
só
pra ver
até onde somos capazes de subir
e não montar em outros homens.
um vulcão eclodindo como um ovo
lavas de luzes formam
um elefante medonho.
Quem tem medo daquele lugar?
Eu vi faces apavoradas
e espelho refletindo minha tensão.
Vimos a cidade de lá
como um outro universo
também eclodindo
fogos de ano novo
sinais de fogo
de um povo que precisa ver
enquanto lá, no seu topo
somente o vento frio reveste
os dois irmãos
separados
por zonas
nada mais categórico.
Lembro do meu corpo contraindo
como se estivesse com a febre da peste
o frio do pensamento
em movimentos involuntários
e ainda assim
descemos até o mar
para verificar sinais de ambundância para todos.
Os peixes que pulam do cardume
não tem dono algum
nem as gaivotas que espreitam
nem os olhos dos homens.
O coletivo mantém o uno
quando não é multidão.
Subimos o Apoador
uma pedra lunar
só
pra ver
até onde somos capazes de subir
e não montar em outros homens.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
terça-feira, 18 de setembro de 2012
música para domingo
"Minha ideologia é o nascer de cada dia
E minha religião é a luz na escuridão"
(Gilberto Gil)
E minha religião é a luz na escuridão"
(Gilberto Gil)
automutilação
a cada palavra que escrevo
cada imagem pensamento
olhar para o vento
parada para comer os cantos
dos dedos
automutilação
sangrandoa memória
não hesita
culpa
pena
impossibilita
qualquer conversa
consigo
é esperar a hora
e não ser chamado
precipita
cada imagem pensamento
olhar para o vento
parada para comer os cantos
dos dedos
automutilação
sangrandoa memória
não hesita
culpa
pena
impossibilita
qualquer conversa
consigo
é esperar a hora
e não ser chamado
precipita
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
pontuações
em pouco tempo mudaram as pontuações
uma defasagem
uma aceleração
um caminhão sem mensagem na traseira
uma porta entreaberta
uma cachorra, uma ovelha
uma luz ligada
será que um velho morreu
e ninguém deu conta disso?
as contas continuam a chegar
como marcas de uma máquina impiedosa
uma velha, eu sou
com grafias e acentos antigos
marcados nas coisas
uma defasagem
uma aceleração
um caminhão sem mensagem na traseira
uma porta entreaberta
uma cachorra, uma ovelha
uma luz ligada
será que um velho morreu
e ninguém deu conta disso?
as contas continuam a chegar
como marcas de uma máquina impiedosa
uma velha, eu sou
com grafias e acentos antigos
marcados nas coisas
sábado, 8 de setembro de 2012
uma dança que cai
antes de avistar serenamente
a palma da mão
que cobre o rosto
que tomba no chão
quem são estas velhas
quem vem me segurar
e dizer quem eu sou?
um sino que toca
os rios que correm
o espelho é minha mão
que cobre o rosto
o espelho
elas dizem
é minha mãe
a chuva tá caindo mas o samba não pode parar
∞
ouvimos o pássaro sirene
por volta das 4
você se levanta
se afasta de mim
quando poderei me afastar de mim
antes de acordar
o quando do acordar do pássaro sirene
minhas forças da cama se unem às do pássaro sirene
todos os dias desde que notei sua existência
com você a marca da nossa cama
que se levanta antes de nós
a marca de nossa noite resoluta
o pássaro que vê o sol romper antes da aurora
nossas forças estão se unindo às da aurora
dos pássaros que não conhecemos o nome
mas reconhecemos o canto
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
segunda a segunda
chegou o carro do gás
ele está na sua porta
não deixa o gás acabar
*
pooooooooooooooooooonnnnnnnnnn
uma pessoa corre pra pegar a barca
o portão se fecha
a mesma pessoa volta
andando lentamente
**
crianças banham na espuma preta
algumas catam siris e peixinhos
nas partes mais claras, igualmente sujas
crianças inventam suas brincadeiras
ele está na sua porta
não deixa o gás acabar
*
pooooooooooooooooooonnnnnnnnnn
uma pessoa corre pra pegar a barca
o portão se fecha
a mesma pessoa volta
andando lentamente
**
crianças banham na espuma preta
algumas catam siris e peixinhos
nas partes mais claras, igualmente sujas
crianças inventam suas brincadeiras
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