cada canto da casa tem zelo
um pouco dessa pessoa
que se deposita em toda casa
*
terça-feira, 18 de setembro de 2012
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
pontuações
em pouco tempo mudaram as pontuações
uma defasagem
uma aceleração
um caminhão sem mensagem na traseira
uma porta entreaberta
uma cachorra, uma ovelha
uma luz ligada
será que um velho morreu
e ninguém deu conta disso?
as contas continuam a chegar
como marcas de uma máquina impiedosa
uma velha, eu sou
com grafias e acentos antigos
marcados nas coisas
uma defasagem
uma aceleração
um caminhão sem mensagem na traseira
uma porta entreaberta
uma cachorra, uma ovelha
uma luz ligada
será que um velho morreu
e ninguém deu conta disso?
as contas continuam a chegar
como marcas de uma máquina impiedosa
uma velha, eu sou
com grafias e acentos antigos
marcados nas coisas
sábado, 8 de setembro de 2012
uma dança que cai
antes de avistar serenamente
a palma da mão
que cobre o rosto
que tomba no chão
quem são estas velhas
quem vem me segurar
e dizer quem eu sou?
um sino que toca
os rios que correm
o espelho é minha mão
que cobre o rosto
o espelho
elas dizem
é minha mãe
a chuva tá caindo mas o samba não pode parar
∞
ouvimos o pássaro sirene
por volta das 4
você se levanta
se afasta de mim
quando poderei me afastar de mim
antes de acordar
o quando do acordar do pássaro sirene
minhas forças da cama se unem às do pássaro sirene
todos os dias desde que notei sua existência
com você a marca da nossa cama
que se levanta antes de nós
a marca de nossa noite resoluta
o pássaro que vê o sol romper antes da aurora
nossas forças estão se unindo às da aurora
dos pássaros que não conhecemos o nome
mas reconhecemos o canto
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
segunda a segunda
chegou o carro do gás
ele está na sua porta
não deixa o gás acabar
*
pooooooooooooooooooonnnnnnnnnn
uma pessoa corre pra pegar a barca
o portão se fecha
a mesma pessoa volta
andando lentamente
**
crianças banham na espuma preta
algumas catam siris e peixinhos
nas partes mais claras, igualmente sujas
crianças inventam suas brincadeiras
ele está na sua porta
não deixa o gás acabar
*
pooooooooooooooooooonnnnnnnnnn
uma pessoa corre pra pegar a barca
o portão se fecha
a mesma pessoa volta
andando lentamente
**
crianças banham na espuma preta
algumas catam siris e peixinhos
nas partes mais claras, igualmente sujas
crianças inventam suas brincadeiras
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
não mexe no que tá quieto
que logo vai isalar
vai derramar
vai acasalar
não olhe pro lado
não tente limpar
que vai isalar
por todo lado
vão acasalar
os vermes da casa
vão procriar e derramar
pelos poros da preguiça
eles dormem, comem e gargalham
no meio do lixo que há
com pobres cães fétidos
companheiros fiés inocentes
compartilham vermes
gritos, bactérias e poeira
não mexe que a poeira sobe
e cega o olho
mediocridade
imundice
que logo vai isalar
vai derramar
vai acasalar
não olhe pro lado
não tente limpar
que vai isalar
por todo lado
vão acasalar
os vermes da casa
vão procriar e derramar
pelos poros da preguiça
eles dormem, comem e gargalham
no meio do lixo que há
com pobres cães fétidos
companheiros fiés inocentes
compartilham vermes
gritos, bactérias e poeira
não mexe que a poeira sobe
e cega o olho
mediocridade
imundice
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
carta
dias que não escrevo
pensei que pudesse haver
alguma coisa que justificasse
algum luto por vir
um pássaro que vôa baixo
pensei que esse silêncio é sísmico
e lembrei que havia muito tempo
que não limpava meus olhos
via você aparecendo no canto da sala
levantada de seu repouso imóvel
quase uma aleijada
você apareceu sutil
nem precisou entrar onde eu estava
apenas surgiu epifânica
eu sabia o que você queria
porque te conheço desde pequena
sabia que você veio me chamar para morrer
que precisava que eu rolasse no chão dos seus gemidos
um relâmpago vindo de dentro da terra, grunindo
você precisava escutar eu dizendo que poderia ir
não que isso fosse uma permissão
mas um crédito a nossa amizade
um mot de passe
transformada na minha primeira boneca
com o crânio cheio de alfinetes
trançado por finas linhas
tive a certeza que não mais respirava
pensei que sua cabeça poderia estar doendo
você que não suportava mais nem um toque de tamanha dor
aguentou o meu abraço
que dizia que você podia ir
(alguém descobriu essa cena por trás da porta
pegou-me no flagra com aquela boneca na mão
com o crânio perfurado por alfinetes)
pensei que pudesse haver
alguma coisa que justificasse
algum luto por vir
um pássaro que vôa baixo
pensei que esse silêncio é sísmico
e lembrei que havia muito tempo
que não limpava meus olhos
via você aparecendo no canto da sala
levantada de seu repouso imóvel
quase uma aleijada
você apareceu sutil
nem precisou entrar onde eu estava
apenas surgiu epifânica
eu sabia o que você queria
porque te conheço desde pequena
sabia que você veio me chamar para morrer
que precisava que eu rolasse no chão dos seus gemidos
um relâmpago vindo de dentro da terra, grunindo
você precisava escutar eu dizendo que poderia ir
não que isso fosse uma permissão
mas um crédito a nossa amizade
um mot de passe
transformada na minha primeira boneca
com o crânio cheio de alfinetes
trançado por finas linhas
tive a certeza que não mais respirava
pensei que sua cabeça poderia estar doendo
você que não suportava mais nem um toque de tamanha dor
aguentou o meu abraço
que dizia que você podia ir
(alguém descobriu essa cena por trás da porta
pegou-me no flagra com aquela boneca na mão
com o crânio perfurado por alfinetes)
sábado, 18 de agosto de 2012
absorção
caminho reto
dos 4 graus do equador
terreno com pequeno relevo
baixo verde claro meio cinza
de vegetação aberta palmeirinha
vibrando nos ventos alísios
no sol branco de todo dia
hora em que não se ofusca a vista
caminhando reto em direção dessa bola branca
com duas estrelas abaixo
mais uma lua nova emborcada por cima
caminhando reto cantando sentindo chegando
na rua que separa o que é do outro lado
montanha mata fechada subida fria
eremita coopta
enlevo
dos 4 graus do equador
terreno com pequeno relevo
baixo verde claro meio cinza
de vegetação aberta palmeirinha
vibrando nos ventos alísios
no sol branco de todo dia
hora em que não se ofusca a vista
caminhando reto em direção dessa bola branca
com duas estrelas abaixo
mais uma lua nova emborcada por cima
caminhando reto cantando sentindo chegando
na rua que separa o que é do outro lado
montanha mata fechada subida fria
eremita coopta
enlevo
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
armário
armário fechado
cheio daquilo que nem mais lembrava
daquela roupa de perfume mofado
da história mofada daquela carta
que dava pena
mas nem reli
foi direto pro lixo
junto com o tempo investido
pra arrumar o armário
precisei de três dias inteiros
e enormes cestos de lixo
pra acomodar o tempo vivido
revirado pelo mendigo da rua
que rasga os sacos em sua triagem
enxotado pelas donas das casas
o preto homem nas portas
dos armários
guardo o cheiro de mofo
a gaveta mais baixa
o compartimento mais alto
reservado para os itens mais nefastos ou prezados
armário aberto
cheio daquilo que nem mais lembrava
daquela roupa de perfume mofado
da história mofada daquela carta
que dava pena
mas nem reli
foi direto pro lixo
junto com o tempo investido
pra arrumar o armário
precisei de três dias inteiros
e enormes cestos de lixo
pra acomodar o tempo vivido
revirado pelo mendigo da rua
que rasga os sacos em sua triagem
enxotado pelas donas das casas
o preto homem nas portas
dos armários
guardo o cheiro de mofo
a gaveta mais baixa
o compartimento mais alto
reservado para os itens mais nefastos ou prezados
armário aberto
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
erê
tu me trouxestes uma boneca
miniatura de mim
vestida de amarelo
alecrim de festejo
cabeça sem cabelo
eu a guardo anos a fio
no passar das rugas
no trepidar
no arrepio
na rouquidão da voz
que só chegava a noite
só chegava a noite
por vezes meio dia
um telefonema
na casa da vizinha
um sem tempo
sem fim
sem linha
uma tarefa inacabável
erê dorme na rede do quarto
feito de plástico carcomido
por outro erê escondido
pensando na vida
como chora, pobrezinho
anos a fio
aguarda
miniatura de mim
vestida de amarelo
alecrim de festejo
cabeça sem cabelo
eu a guardo anos a fio
no passar das rugas
no trepidar
no arrepio
na rouquidão da voz
que só chegava a noite
só chegava a noite
por vezes meio dia
um telefonema
na casa da vizinha
um sem tempo
sem fim
sem linha
uma tarefa inacabável
erê dorme na rede do quarto
feito de plástico carcomido
por outro erê escondido
pensando na vida
como chora, pobrezinho
anos a fio
aguarda
sábado, 7 de julho de 2012
prelúdio
eu já nasci com cara de velha
com olheiras enormes
temerosa lua minguando
cresci conversando só
com espíritos e deuses em cima da lage
por onde cresceria numa longa tarde
o segundo andar de uma casa
que sobrepõe aquela
dos desenhos que eu fazia
e que todas as crianças rabiscam
laranja barro vermelho
porta e janela
sagrada família no azuleijo
jardim nas laterais
parede de taipa
um buraco na porta
flores cor de rosa
rosa cor de flores
eu posso dizer
que vi meu sonho sobrepor
o sonho que hoje tenho
como se eu ainda tivesse aquela altura
com que atravessava pântanos
chorando tristemente
sorrindo com vergonha
dando um conselho
certamente
morrerei com cara de criança
quinta-feira, 28 de junho de 2012
corredor matinal
eu acordo escutando você passando no corredor ao lado
você bate na janela e eu acordo
eu acordo, é hora de trabalhar
eu acordo e você não está aqui
eu preciso passar essa página
pra poder ver
o que há de ver
no outro lado da calçada
um quarto retangular
estreito e comprido
não é mais pra mim
você bate na janela e eu acordo
eu acordo, é hora de trabalhar
eu acordo e você não está aqui
eu preciso passar essa página
pra poder ver
o que há de ver
no outro lado da calçada
um quarto retangular
estreito e comprido
não é mais pra mim
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Ressaca
chuva torrencial
e vieram pelas bocas de rio
tudo o que nossas bocas não consomem
e mais o próprio rio com suas plantas e cobras
enrroladas em copos, sacos, baldes, cadeiras
tênis, raquete, televisões, sofás e monitores
e toda sorte de embalagem
que não envolvem mais nada
um sambaqui, agora epitelial, daquilo que somos bem
lixo
que vem pela maré, pelo vento forte e chega aqui
atrapalhando o sábado do turista
lembrando do que sempre esteve ali
do outro lado da baía
lembrando o cão doméstico
que ele gosta é de carniça
chamando os urubus
e os garis
para uma conferência sobre a limpeza
e sujeira humana
***
e vieram pelas bocas de rio
tudo o que nossas bocas não consomem
e mais o próprio rio com suas plantas e cobras
enrroladas em copos, sacos, baldes, cadeiras
tênis, raquete, televisões, sofás e monitores
e toda sorte de embalagem
que não envolvem mais nada
um sambaqui, agora epitelial, daquilo que somos bem
lixo
que vem pela maré, pelo vento forte e chega aqui
atrapalhando o sábado do turista
lembrando do que sempre esteve ali
do outro lado da baía
lembrando o cão doméstico
que ele gosta é de carniça
chamando os urubus
e os garis
para uma conferência sobre a limpeza
e sujeira humana
***
quarta-feira, 20 de junho de 2012
lameirão
tempo morto
maré baixa
lameirão
uma mureta que segue o muro desta casa
e dá onde?
praia que segue o mesmo muro
monolitos que observam as mesmas montanhas
tempo morto
sambaqui
objeto
cacho de banana podre
pegadas
volta
era só um quarteirão
mas dentro dela se via
escondido pelo portão
a porta desse tempo
morto
conservado no limo
que cobre a calçada
versos da coreira
PELA GRAÇA DE SÃO
BENEDITO
PROTEGIDO PELO ROSÁRIO DE MARIA
SACRAMENTO DE SANTO ANTÔNIO
BERÇÃO DE SÃO JOÃO
PELOS GRITOS DO CAGERÊ DE SÃO PEDRO
E SOL RAIANDO
PARA TOMAR UM CALDO
DE PEIXE PEDRA
REFORÇO DAS
ENERGIAS PARA SÃO MARÇAL
COM OS OLHOS DOIDO DAS NOITE DE BRINCAR
BUMBA BOI
NÃO É DE PRIMEIRO
E NEM DE SEGUNDA
E CANTAR E
BRINCAR BOI COMO ELE É....
PELOS VOTOS DA GRAÇA PROFANO NO SAGRADA DA
ALEGRIA DE SER
DE ALMA E CARNE
LUDOVICENTE
BJS SEJA BEM
VINDA.
___
*Versos de Rosenilde Rodrigues Ferreira, mais conhecida como Rose Coreira, que traz a essência do momento junino na ilha de São Luís do Maranhão.
*Versos de Rosenilde Rodrigues Ferreira, mais conhecida como Rose Coreira, que traz a essência do momento junino na ilha de São Luís do Maranhão.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
sábado, 9 de junho de 2012
sonho com meu irmão
cadê você, hermano?
com seu carro pequenino
de três partes azuis
compartimentos igualdade
cada degrau de uma respiração sufocada
sabe, hermano, eu tô morando onde o pouco está
e nem é o que a palavra parece indicar
pacas, como as do avô
muitas, a andar
a nadar, a baía não é mais a mesma
de quatro séculos atrás
hermano, blues, queria te abraçar
mas acordei um tanto sufocada
com o pescoço no braço enrrolado
cordão
acho que preciso vomitar
com seu carro pequenino
de três partes azuis
compartimentos igualdade
cada degrau de uma respiração sufocada
sabe, hermano, eu tô morando onde o pouco está
e nem é o que a palavra parece indicar
pacas, como as do avô
muitas, a andar
a nadar, a baía não é mais a mesma
de quatro séculos atrás
hermano, blues, queria te abraçar
mas acordei um tanto sufocada
com o pescoço no braço enrrolado
cordão
acho que preciso vomitar
sabe-se lá
uma alternativa no campo dos sentidos
lama é poeira molhada após a chuva
tipo o instantâneo no seu continuum
lavando o sensor, poeira no negativo
papel, metal, folha fotossensível
uma mangueira com folhas que serão mangas
quem vem
pra estes solos
quando chove?
quem procura
um abrigo
debaixo da amendoeira?
uma mulher que chega
segurando seu vestido
um choro engasgado
seu abrigo
segunda-feira, 4 de junho de 2012
domingo, 3 de junho de 2012
arte$
similares entre si
fechadas em lares
abertas na rede
clausura das células
cédulas em série
com muito valor
embutido
*
arte sensorial
no pedestal da galeria
com um corcunda atrás
falando o que é
arte sensorial
da terapia ao center
dos pacientes aos clientes
do gesto aos objetos vazios
de gente ao plástico
*
arte sensorial
no pedestal da galeria
com um corcunda atrás
falando o que é
arte sensorial
da terapia ao center
dos pacientes aos clientes
do gesto aos objetos vazios
de gente ao plástico
domingo, 20 de maio de 2012
o sino de domingo
o sino bate extra aos domingos
às 9h30
na semana ao meio-dia
15h
18h
eu bato
batuco
berimbau
coração
ponto
bato e espero o sino
que vem vem vem vem vem...
às vezes atrasa 1 ou 2 minutos
vejo o pároco correr
mentira, é um programa elementar
de computador
o sino bate aos domingos
extra bate meu peito
pescoço e pulso
às 9h30
na semana ao meio-dia
15h
18h
eu bato
batuco
berimbau
coração
ponto
bato e espero o sino
que vem vem vem vem vem...
às vezes atrasa 1 ou 2 minutos
vejo o pároco correr
mentira, é um programa elementar
de computador
o sino bate aos domingos
extra bate meu peito
pescoço e pulso
segunda-feira, 14 de maio de 2012
identidade
perdi minha identidade
quem estará agora
com meu número
celular
foto 3X4
assinatura
chave de casa
batom
flagrante
anotações numa caderneta
nos bolsos do meu casaco
estava em partículas
onde eu estarei agora
nesse exato momento
onde estarei nos planos
que não fiz
mas anotei
quem estará agora
com meu número
celular
foto 3X4
assinatura
chave de casa
batom
flagrante
anotações numa caderneta
nos bolsos do meu casaco
estava em partículas
onde eu estarei agora
nesse exato momento
onde estarei nos planos
que não fiz
mas anotei
quinta-feira, 10 de maio de 2012
ritornelos
coisas de lá pra cá
coisas daqui pra lá
coisas que vão e chegam
até nós
enchendo nossos armários
que nem temos
nossas malas
livros
roupas
quadros
instrumentos
máquinas
nós em espelhos desatentos
uma memória está aqui
por enquanto
neste domus que será desabitado
reabitado por outros
como era antes
com a mesma luz às 14h15
foi só um aluguel
coisas daqui pra lá
coisas que vão e chegam
até nós
enchendo nossos armários
que nem temos
nossas malas
livros
roupas
quadros
instrumentos
máquinas
nós em espelhos desatentos
uma memória está aqui
por enquanto
neste domus que será desabitado
reabitado por outros
como era antes
com a mesma luz às 14h15
foi só um aluguel
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Minos
encruzilhada
vá pelo lado da praia
me deixa no lado dos cocais
quando chega o velho com seu boi
- ele está me olhando de uma forma estranha
desvio o olhar pra não atiçar seu...
vou saindo despistando
e ele me segue obsecado
uma mulher insuportável grita
penso em desacordá-la
mas agora é preciso correr
chamem o feiticeiro!
chamem o dono desse boi!
corro pra cabana e entendo enfim
suas reentrâncias, labirintos, minos
me encolho num canto
e espero escapar
"touro cavalo bravo não se amansa
touro cavalo bravo não se amansa
eu não tenho medo, eu não tenho medo
eu sai da mata de manhã bem cedo"
vá pelo lado da praia
me deixa no lado dos cocais
quando chega o velho com seu boi
- ele está me olhando de uma forma estranha
desvio o olhar pra não atiçar seu...
vou saindo despistando
e ele me segue obsecado
uma mulher insuportável grita
penso em desacordá-la
mas agora é preciso correr
chamem o feiticeiro!
chamem o dono desse boi!
corro pra cabana e entendo enfim
suas reentrâncias, labirintos, minos
me encolho num canto
e espero escapar
"touro cavalo bravo não se amansa
touro cavalo bravo não se amansa
eu não tenho medo, eu não tenho medo
eu sai da mata de manhã bem cedo"
quarta-feira, 25 de abril de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
Hermético
não importa se
o senhor esqueceu
ou não sabe escrever
meu nome
o que há de mais essencial
está ali, no senhor
no que diz
mensagem sincera
muito bem escrita
no segredo profundo
o senhor esqueceu
ou não sabe escrever
meu nome
o que há de mais essencial
está ali, no senhor
no que diz
mensagem sincera
muito bem escrita
no segredo profundo
domingo, 22 de abril de 2012
quinta-feira, 19 de abril de 2012
quarta-feira, 18 de abril de 2012
outono
outono chega como uma praia vinda do outro lado
por trás das dunas
outono é primeiro só um vento frio
e uma certa luz que entra pela janela
ou tonus, estado de espírito
sons sintetizados
ecos
e estilos
outono, esta incerteza me leva a tua praia
e posso te dizer:
não espero nada de ti
o sino vai tocar
agora
por trás das dunas
outono é primeiro só um vento frio
e uma certa luz que entra pela janela
ou tonus, estado de espírito
sons sintetizados
ecos
e estilos
outono, esta incerteza me leva a tua praia
e posso te dizer:
não espero nada de ti
o sino vai tocar
agora
terça-feira, 10 de abril de 2012
tudo se aprende
quem é você correndo atrás de mim
que eu corro pensando se vou ter fôlego
você que é uma menina que me dá medo
que eu corro procurando uma multidão
pra me esconder
vejo que peguei distância
de você, menina que grita
coisas sobre mim em plena rua
dessa pequena comunidade
quem é você, menina que me dá medo,
quem é você?
que eu corro pensando se vou ter fôlego
você que é uma menina que me dá medo
que eu corro procurando uma multidão
pra me esconder
vejo que peguei distância
de você, menina que grita
coisas sobre mim em plena rua
dessa pequena comunidade
quem é você, menina que me dá medo,
quem é você?
quinta-feira, 29 de março de 2012
Autopoiesis
esta noite andei por essa cidade
vendo cenas que já havia visto
em sonho
a cobrança por um caso
quem está só sabe muito bem do que falo
deve até sonhar os mesmos sonhos que eu
com aqueles que já se foram entre nós
aqueles que um dia fazia sentido
tanto tempo foi dedicado
numa vigília sem precisão
um vigia sem um tostão
quantas gramas de noz moscada
raspadas sobre a ferida
secreção
é preciso fugir do sonho
enquanto há tempo para correr
antes que respingue tudo pelo corte
corra antes que o sonho chegue reivindicando
outros sonhos autogerativos, tenha medo deles, logo
não espere pra respirar
corra respirando
vendo cenas que já havia visto
em sonho
a cobrança por um caso
quem está só sabe muito bem do que falo
deve até sonhar os mesmos sonhos que eu
com aqueles que já se foram entre nós
aqueles que um dia fazia sentido
tanto tempo foi dedicado
numa vigília sem precisão
um vigia sem um tostão
quantas gramas de noz moscada
raspadas sobre a ferida
secreção
é preciso fugir do sonho
enquanto há tempo para correr
antes que respingue tudo pelo corte
corra antes que o sonho chegue reivindicando
outros sonhos autogerativos, tenha medo deles, logo
não espere pra respirar
corra respirando
terça-feira, 20 de março de 2012
vergonha
lembro daquela situação vergonhosa
paraliso
até lembrar de novo
de várias outras assim
jogo a cinza no chão
pra lembrar de varrer a casa
amanhã, ponho o pé no chão
pra lembrar como é andar
antes que eu paralise de novo
vergonha é foda, né?
emperra meu pensamento
em 5 segundos de um ano
inteiro mesmo um meio
um planeta, uma pantera
sua unha arisca risca a cara
do tempo e ri só de mal
paraliso
até lembrar de novo
de várias outras assim
jogo a cinza no chão
pra lembrar de varrer a casa
amanhã, ponho o pé no chão
pra lembrar como é andar
antes que eu paralise de novo
vergonha é foda, né?
emperra meu pensamento
em 5 segundos de um ano
inteiro mesmo um meio
um planeta, uma pantera
sua unha arisca risca a cara
do tempo e ri só de mal
domingo, 18 de março de 2012
blá blá
tantas palavras
para repetirmos
palavras à vontade
para comermos depois do almoço
chegamais, meu amigo,
chegajunto
para repetirmos
palavras à vontade
para comermos depois do almoço
chegamais, meu amigo,
chegajunto
mosquetões
uma fileira de montanhas brancas
uma fileira de velhas
de jovens escalando até que um escorrega
repica e vai se segurando onde pode
derrubando os demais feito dominó
enrolando todos num cordão só
que surpreendentemente
joga pra cima da velha cordilheira
a trupe toda de alpinistas com seus mosquetões
e uma breve vontade de morrer
surpreendentemente
uma fileira de velhas
de jovens escalando até que um escorrega
repica e vai se segurando onde pode
derrubando os demais feito dominó
enrolando todos num cordão só
que surpreendentemente
joga pra cima da velha cordilheira
a trupe toda de alpinistas com seus mosquetões
e uma breve vontade de morrer
surpreendentemente
terça-feira, 13 de março de 2012
escuto escuro escudo
eu queria me ausentar da possibilidade de buscar nessa ferramenta
esperar a resposta que chega sedenta da nossa espera
ela chega alegre
ou triste mesmo
às vezes peçonhenta
uma cobrinha mansa que engole algum animal pequeno
eu queria escrever aquelas poesias da espera
que saíram das suas caixas de sapatos - sozinhas
escutar aquele som de sapo no terreno do vizinho
não mais vou buscar nada
por enquanto escuro
portanto escuta
eu não queria nada em troca pela resposta
que vai chegar bem antes do sapo sair de lá
em breve
esperar a resposta que chega sedenta da nossa espera
ela chega alegre
ou triste mesmo
às vezes peçonhenta
uma cobrinha mansa que engole algum animal pequeno
eu queria escrever aquelas poesias da espera
que saíram das suas caixas de sapatos - sozinhas
escutar aquele som de sapo no terreno do vizinho
não mais vou buscar nada
por enquanto escuro
portanto escuta
eu não queria nada em troca pela resposta
que vai chegar bem antes do sapo sair de lá
em breve
terça-feira, 6 de março de 2012
sexta-feira, 2 de março de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
cotidiano
*
eu ocupei essa casa
o lugar para onde se volta
eu ocupei, sozinha, por vezes
ainda com outros
a todos recebi
por vezes de mim fugi
**
louco espaço
minhas anotações por todo lado
minha cabeça do outro lado
***
me passa cada coisa na cabeça
e na sua também
eu penso cada coisa
você me diz: é viagem
você pensa cada coisa
eu digo o mesmo
você é com quem convivo
eu ocupei essa casa
o lugar para onde se volta
eu ocupei, sozinha, por vezes
ainda com outros
a todos recebi
por vezes de mim fugi
**
louco espaço
minhas anotações por todo lado
minha cabeça do outro lado
***
me passa cada coisa na cabeça
e na sua também
eu penso cada coisa
você me diz: é viagem
você pensa cada coisa
eu digo o mesmo
você é com quem convivo
domingo, 19 de fevereiro de 2012
carna,vale,ah pena
euforia
olhos baixos
bottom up
cabisbaixo
alforria
satisfaço
com o teu riso
embaraço
lama grudada no sapato
aderindo ao solo
uma breve descarga
uma coisa guardada
apareceu em esculacho
diga que você é besta
pra se safar é muito fácil
dia que você é isso
pra se livrar é muito rápido
de si mesmo
contanto que alguém veja
já dá pro gasto
olhos baixos
bottom up
cabisbaixo
alforria
satisfaço
com o teu riso
embaraço
lama grudada no sapato
aderindo ao solo
uma breve descarga
uma coisa guardada
apareceu em esculacho
diga que você é besta
pra se safar é muito fácil
dia que você é isso
pra se livrar é muito rápido
de si mesmo
contanto que alguém veja
já dá pro gasto
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
quero uma comunicação com o espaço
Mudou alguma coisa.
Acho que haviam homens e mulheres nas calçadas
estava seguindo feito o fluxo
de cima pra baixo, água
de baixo pra cima, no vento
e de repente telefonemas
ao acordar e
ao anoitecer visitas e
mais toda essa parafernália
com um sopro assim, talvez
eu sinta algo do que eu já escrevi
tem uma memória assim
eu sei que você não me deve
tem uns aqui e outros mais ali
mas tem uma febre que passa
e tá todo mundo junto nessa calçada
é o calor do rio só pode ser o calor eu rio eu rio eu eu rio.
Acho que haviam homens e mulheres nas calçadas
estava seguindo feito o fluxo
de cima pra baixo, água
de baixo pra cima, no vento
e de repente telefonemas
ao acordar e
ao anoitecer visitas e
mais toda essa parafernália
com um sopro assim, talvez
eu sinta algo do que eu já escrevi
tem uma memória assim
eu sei que você não me deve
tem uns aqui e outros mais ali
mas tem uma febre que passa
e tá todo mundo junto nessa calçada
é o calor do rio só pode ser o calor eu rio eu rio eu eu rio.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
anjo
sua pele quase transparente
vejo veias verdes
cantos roxos
brilho dos cabelos ruivos
anjo, coitado
parece um defunto
se for anjo
o que será de ti?
não posso mostrar tua face
que eu vi de relance e fugi
para agora falar com essas palavras
o que você nunca foi
ó como eu vejo teu rosto em três segundos!
aparece ruivo e
vá embora
pela janela fechada
posso passar horas a falar...
as palavras são maiores
eis o mito
vejo veias verdes
cantos roxos
brilho dos cabelos ruivos
anjo, coitado
parece um defunto
se for anjo
o que será de ti?
não posso mostrar tua face
que eu vi de relance e fugi
para agora falar com essas palavras
o que você nunca foi
ó como eu vejo teu rosto em três segundos!
aparece ruivo e
vá embora
pela janela fechada
posso passar horas a falar...
as palavras são maiores
eis o mito
domingo, 29 de janeiro de 2012
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
domingo, 22 de janeiro de 2012
quando me sinto fora do espaço
quando passo pela lapa
olhando de longe a arrumação
uma ou outra confusão
me sinto olhando de cima da árvore
jogando gravetos e granadas
me sinto de fora
portando dinamites
presentes para pessoas
figurinos e figurinhas
carnes expostas
carnecartaz
leio o valor de longe
de dentro de uma câmera escura
estou portando dinamites!
quando passo pela lapa
olhando de longe a arrumação
uma ou outra confusão
me sinto olhando de cima da árvore
jogando gravetos e granadas
me sinto de fora
portando dinamites
presentes para pessoas
figurinos e figurinhas
carnes expostas
carnecartaz
leio o valor de longe
de dentro de uma câmera escura
estou portando dinamites!
Paquetá
na passagem, a chuva
bicicleta voltas
curvas turvas
casas escuras
de cem anos ou mais
habitadas ou co-habitadas ou re-habitadas
tralhas no jardim de veraneio
primeira chuva do ano lava tudo
virando lama respingada
podendo escorregar ou mesmo cair
a baía de guanabara
no seu interior saturado
uma água marrom
uma areia preta
uma espuma safa
plataformas de petróleo
na vista deslumbrada
como seria há tantos anos
lá é o cemitério de pássaros
bicicleta voltas
curvas turvas
casas escuras
de cem anos ou mais
habitadas ou co-habitadas ou re-habitadas
tralhas no jardim de veraneio
primeira chuva do ano lava tudo
virando lama respingada
podendo escorregar ou mesmo cair
a baía de guanabara
no seu interior saturado
uma água marrom
uma areia preta
uma espuma safa
plataformas de petróleo
na vista deslumbrada
como seria há tantos anos
lá é o cemitério de pássaros
Ilha de Paquetá
2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
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